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Meio Ambiente

Despejo de líquido escuro em galeria é identificado como água serva na Lagoa da Tijuca

Secretaria Municipal de Meio Ambiente constatou lançamento de água servida na lagoa; origem do descarte ainda não foi identificada.

Por Redação Diário Local

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima (Smac) confirmou o lançamento de água serva em uma galeria pluvial que deságua na Lagoa da Tijuca. A constatação ocorreu durante vistoria realizada pela Patrulha Ambiental na última terça-feira (19).

A água serva é caracterizada por resíduos líquidos que perderam a pureza original e contêm elementos como gordura, sabão ou sujeira. O problema foi reportado por moradores da região nos últimos meses.

Relatos indicam que um líquido escuro tem jorrando de galerias pluviais em pontos próximos a centros comerciais e áreas residenciais, como o Península e o BarraShopping. Moradores afirmaram que o despejo ocorre mesmo sem a ocorrência de chuvas.

A origem exata do lançamento ainda não foi identificada pela prefeitura. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima informou que uma Estação de Tratamento de Efluentes (ETE) particular, localizada próxima ao ponto, passará por vistoria para verificar possíveis relações com o despejo.

A Iguá Rio, concessionária responsável pelo saneamento na região, realizou vistoria no local e afirmou que não constatou problemas em suas redes. A empresa declarou que mantém ações de limpeza nas lagoas conforme previsto em seu contrato de concessão.

A Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb) esclareceu que não realiza a remoção direta de resíduos no espelho d'água da lagoa. A companhia ressaltou, porém, que mantém serviços de coleta para evitar o descarte irregular em rios e canais.

Desde 2022, a Comlurb instalou 12 ecopontos na região, sendo seis deles destinados às comunidades de Rio das Pedras e Muzema. O objetivo é mitigar o descarte inadequado de lixo na localidade.

Acúmulo de lixo sólido preocupa especialistas

O despejo do líquido desconhecido agrava um problema crônico na Lagoa da Tijuca: o descarte de resíduos sólidos. Segundo o biólogo Mario Moscatelli, objetos de grande porte, como pneus, armários e sofás, são frequentemente encontrados no espelho d'água.

A maior incidência de lixo é observada na altura das comunidades da Muzema e de Rio das Pedras. Moscatelli registrou, recentemente, a presença de 18 sofás boiando em um curto intervalo de navegação na área.

O especialista alerta que a presença desses materiais pode causar o assoreamento (acúmulo de sedimentos no fundo) do sistema lagunar. O risco aumenta com a previsão de chuvas mais intensas, que podem carregar ainda mais detritos para dentro da lagoa.

Segundo o biólogo, a eficácia das dragagens e das ecobarreiras existentes é reduzida devido ao volume contínuo de descarte. Ele defende a adoção de uma postura preventiva envolvendo o poder público, a iniciativa privada e a sociedade.

Monitoramento e barreiras de proteção

O Instituto Estadual do Ambiente (Inea) informou que mantém cinco ecobarreiras operando no sistema lagunar da região. Somente em 2026, essas barreiras já retiveram 4.514 toneladas de resíduos flutuantes.

Apesar da retenção de resíduos, o Inea reforçou que a responsabilidade pela gestão dos resíduos sólidos é uma atribuição do município. O monitoramento das condições da lagoa segue como ponto de atenção para as autoridades ambientais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.