Usuários do bilhete TOP Especial precisam viajar para Itapecerica da Serra para desbloqueio de cartão
Beneficiários de gratuidade no transporte intermunicipal enfrentam dificuldades para desbloquear cartões após erros de biometria facial.
Por Redação Diário Local
Pessoas com deficiência (PcDs) e seus familiares enfrentam dificuldades para desbloquear o cartão Top Especial, que garante a gratuidade no transporte intermunicipal na Grande São Paulo. O único posto de atendimento para o desbloqueio presencial está localizado em Itapecerica da Serra, o que obriga usuários de diversas outras regiões a realizarem deslocamentos longos e de alto custo para regularizar o benefício.
A necessidade de validação física ocorre após bloqueios no sistema de reconhecimento facial, implantado em maio de 2026. Segundo relatos de passageiros, os bloqueios acontecem por erros na identificação biométrica, falhas na aproximação da câmera ou, em alguns casos, pelo uso do cartão por terceiros para tarefas como buscar medicamentos ou documentos.
A distância entre o posto e as residências dos beneficiários varia conforme a localização. Moradores de cidades como Mogi das Cruzes podem enfrentar viagens de mais de 100 km, enquanto famílias de Guarulhos relatam gastos de até R$ 400 com transporte por aplicativo para chegar ao local, situado na região oeste da Grande São Paulo.
Em um caso registrado na última quinta-feira (20), uma família de Guarulhos precisou sair de casa às 7h para chegar ao atendimento em Itapecerica da Serra. O pai, o pintor Horácio Alves Martins, de 51 anos, relatou a perda do dia de trabalho para desbloquear o cartão do filho autista, de 6 anos, destacando que a dependência do benefício é essencial para consultas médicas semanais.
Outras usuárias relataram dificuldades com o transporte público. Uma ajudante geral, de 54 anos, também de Guarulhos, levou mais de cinco horas para chegar ao posto utilizando ônibus intermunicipais e linhas de metrô. Já uma moradora de Mairiporã informou ter realizado o trajeto sem recursos financeiros extras após o bloqueio do cartão.
O que diz a operadora e os órgãos reguladores?
A operadora do cartão, Autopass, afirmou que a biometria facial é um mecanismo de segurança para assegurar que o benefício seja utilizado exclusivamente pelo titular. Desde a implementação do sistema, em maio de 2026, a empresa identificou 71.530 transações não conformes e efetuou o bloqueio de 22.900 cartões.
A Autopass declarou que trabalha para ampliar as alternativas de atendimento, incluindo a expansão de postos físicos e a oferta de um formato de validação de identidade online. Segundo a companhia, a solução digital já está tecnicamente pronta, mas sua implementação depende de aprovações de instâncias competentes.
A Agência Reguladora de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) e a Secretaria de Parcerias em Investimentos (SPI) informaram que acompanham o tema e participam da governança da bilhetagem metropolitana. A Artesp afirmou que mantém diálogo com a concessionária para ampliar os pontos de atendimento e os canais de acessibilidade para os beneficiários.
