El Niño favorece vendavais com ventos de até 100 km/h em cinco estados brasileiros
Fenômeno intensifica transporte de calor e umidade, elevando risco de tempestades e ventos fortes no Sul e Centro-Oeste.
Por Davy Albuquerque
A atuação do El Niño começou a influenciar o tempo no Brasil e favorece a primeira onda de tempestades e ventos fortes do fenômeno este ano. O fenômeno intensifica o transporte de calor e umidade no país, criando condições para a formação de áreas de instabilidade, chuvas intensas e rajadas de vento, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Nesta sexta-feira (17), o Inmet emitiu um alerta de perigo para vendaval em áreas do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. A previsão indica ventos com velocidade entre 60 km/h e 100 km/h nessas regiões.
O meteorologista do Inmet, Francisco de Assis, explicou que, embora os vendavais sejam comuns durante a passagem de frentes frias — especialmente quando há forte contraste de temperaturas na Região Sul —, o padrão do El Niño contribui para potencializar esse cenário.
Por que o El Niño causa ventos fortes?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Essa mudança altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do planeta.
No Brasil, o fenômeno costuma reduzir as chuvas nas regiões Norte e Nordeste, enquanto aumenta a frequência e o volume das precipitações na Região Sul. Segundo o Inmet, o fortalecimento dos jatos de baixos níveis — correntes de vento que transportam umidade da região tropical para o Sul — aumenta a disponibilidade de calor e umidade na atmosfera.
Ao mesmo tempo, a atuação de centros de baixa pressão e de uma frente fria intensifica a formação de nuvens de tempestade.
Qual o papel do bloqueio atmosférico?
A presença de um sistema de alta pressão sobre partes das regiões Centro-Oeste e Sudeste atua como um bloqueio atmosférico. Esse sistema dificulta o avanço das frentes de instabilidade para outras áreas do país.
Como consequência direta desse bloqueio, a umidade permanece concentrada sobre a Região Sul, o que favorece a ocorrência de chuvas persistentes, tempestades e rajadas de vento.
