Justiça Federal adia depoimentos de acusados de organizar esquema de fabricação de fuzis em SP
Audiências sobre organização criminosa que operava fábrica clandestina de fuzis AR-15 no interior paulista foram adiadas para agosto.
Por Davy Albuquerque
A Justiça Federal adiou os depoimentos de dez acusados de integrar uma organização criminosa transnacional que fabricava e comercializava armas de fogo de uso restrito. As audiências de instrução e julgamento, que estavam previstas para ocorrer nesta quinta-feira (16) e sexta-feira (17), foram reprogramadas.
Com a mudança, o início das oitivas deve ocorrer no dia 6 de agosto. Durante essa etapa do processo, serão colhidos os depoimentos tanto dos acusados quanto das testemunhas envolvidas no caso.
Como funcionava o esquema
O esquema criminoso foi revelado em agosto do ano passado, após a descoberta de uma fábrica clandestina de fuzis AR-15 em Santa Bárbara d'Oeste (SP). Na mesma investigação, foram apreendidas 183 armas em Americana (SP).
De acordo com a Polícia Federal, a empresa utilizava a produção de peças aeronáuticas como fachada para esconder a fabricação exclusiva de armamentos. A estrutura contava com equipamentos de alta precisão e softwares para realizar a usinagem de peças metálicas.
As investigações apontam que o armamento era destinado ao abastecimento de facções criminosas que atuam em São Paulo e no Rio de Janeiro. No local da fábrica, as autoridades encontraram moldes, ferramentas e componentes suficientes para montar 80 fuzis.
Acusações e investigados
Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), o grupo possuía uma hierarquia definida. Silas Diniz Carvalho é apontado como um dos chefes da quadrilha, enquanto Gabriel Carvalho Belchior é acusado de constituir a empresa de fachada em Santa Bárbara d'Oeste.
O MPF detalha que Wendel dos Santos Bastos arrendou o espaço com o maquinário e Marcely Ávila Machado, esposa de Silas, controlava os pagamentos mensais de R$ 75,5 mil. Outros integrantes, como Dinael Enrique Borges, Anderson Custódio Gomes, Janderson Aparecido Ribeiro de Azevedo, Lucas Gonçalves Silva e Walcenir Gomes Ribeiro, possuem funções que variam desde a gestão até a operação das máquinas.
A investigação também aponta a atuação de Diego José Santana, responsável por contratar o transporte das armas para comunidades do Rio de Janeiro. Além do grupo principal, a Justiça Federal tornou réu Luiz Carlos Siqueira, acusado de receber remessas de peças vindas dos Estados Unidos.
Como a denúncia contra Siqueira foi aceita recentemente, seu processo tramita de forma separada. Por esse motivo, ele não deve participar das audiências programadas para o mês de agosto.
