Endurecimento de regras nos EUA faz Curitiba virar polo de refugiados cubanos
Brasil registrou recorde de pedidos de asilo de cubanos no ano passado devido ao fechamento de fronteiras nos Estados Unidos
Por Davy Albuquerque
O endurecimento das políticas migratórias dos Estados Unidos e a crise em Cuba transformaram Curitiba em um polo de acolhimento para a diáspora cubana. O Brasil atingiu o recorde de 44.381 pedidos de asilo de cubanos no ano passado, o maior índice na América Latina e o dobro do volume registrado no período anterior, de acordo com o CEDA, organização baseada em Washington que monitora a migração da ilha.
A mudança de rota ocorre em meio à dificuldade de aprovação de asilos nos Estados Unidos, onde mais de 200 mil cubanos solicitaram refúgio no ano passado, mas enfrentaram barreiras para a entrada. Com as fronteiras americanas mais restritas, o Brasil passou a ser um destino central para quem foge das condições de vida na ilha, como a falta de eletricidade e de alimentos.
Como funciona a rota de chegada?
Muitos migrantes utilizam um trajeto que começa pela Guiana, país que permite a entrada de cubanos sem a necessidade de visto. A partir de lá, o deslocamento é realizado por meio de guias, muitas vezes enfrentando uma jornada exaustiva pela Floresta Amazônica.
Após a travessia pelo norte do país, os cubanos realizam viagens de ônibus de até 5 mil quilômetros para chegar às cidades do Sul do Brasil. O objetivo final é encontrar oportunidades de emprego e estabilidade em regiões que oferecem melhores condições de sobrevivência do que as enfrentadas na origem.
As autoridades brasileiras relatam que o controle dessas rotas é complexo devido à natureza remota das fronteiras, onde traficantes utilizam trilhas e rios para o deslocamento clandestino. Apesar dos riscos da jornada, a comunidade tem conseguido se estabelecer em centros urbanos como Curitiba.
A vida da comunidade em Curitiba
Em Curitiba, a presença cubana é observada em diferentes contextos, desde a ocupação de postos de trabalho em canteiros de obras e cozinhas até a prática de esportes como o beisebol e o softbol em parques da cidade. A integração cultural tem ocorrido de forma gradual, com a abertura de estabelecimentos voltados para a culinária do país.
O fluxo migratório é impulsionado pela crise interna em Cuba, que resultou na saída de mais de 1 milhão de pessoas — aproximadamente 10% da população total — desde 2021, conforme informaram autoridades cubanas. A escassez de recursos e os apagões frequentes têm acelerado o desejo de emigrar.
Para muitos que chegaram ao Brasil, a adaptação tem sido considerada viável, com o mercado de trabalho local servindo como porta de entrada para a reconstrução de suas trajetórias fora da ilha.
