Empresas investigadas por fraude em remédios de câncer faturaram R$ 70 milhões
Investigação aponta uso de receitas falsas e medicamentos sem registro na Anvisa em Mato Grosso do Sul; dois servidores foram afastados
Por Redação Diário Local
Empresas investigadas por suspeita de superfaturamento de medicamentos para pacientes com câncer faturaram mais de R$ 70 milhões entre 2021 e 2025, segundo dados da Receita Federal. A investigação, concentrada em Mato Grosso do Sul, identificou o uso de receitas falsas e a importação de remédios sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
De acordo com a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul, os produtos adquiridos não correspondiam ao que havia sido determinado pela Justiça para os tratamentos. Em um dos casos relatados, um tratamento de três meses que custaria entre R$ 1,2 mil e R$ 1,6 mil aparecia nos processos por cerca de R$ 100 mil.
A apuração indica que medicamentos vindos de países como Índia, China, Paquistão e Turquia chegavam aos pacientes sem a regularização sanitária necessária. Dois funcionários da Secretaria Estadual de Saúde de Mato Grosso do Sul foram afastados por suspeita de encaminhar pedidos de compra para farmácias envolvidas no esquema.
Os investigadores acreditam que tanto os estabelecimentos quanto os servidores lucravam com o superfaturamento. A Polícia Civil segue com as diligências para apurar a extensão do grupo e o direcionamento de recursos públicos para farmácias específicas.
Fraudes em outros estados
O esquema de irregularidades com medicamentos de alto custo tem sido identificado em diversas regiões do país. No Rio Grande do Sul, uma investigação identificou 39 possíveis vítimas de uma organização suspeita de fraudar compras de remédios. O alerta ocorreu na Santa Casa de Caridade de São Gabriel, após profissionais desconfiarem de lotes com embalagens com erros de grafia e bulas em idiomas estrangeiros.
A Operação Placebo, que investiga o caso gaúcho, mira 15 pessoas e 14 empresas. Entre os investigados estão um oncologista e três advogados, que estão proibidos de exercer as profissões enquanto as apurações avançam. O empresário Lisandro Henriques Hermes, apontado pela polícia como articulador do núcleo empresarial, foi preso, mas nega participação no esquema.
No Paraná, as autoridades apuram o desvio de cerca de R$ 2,5 milhões destinados ao tratamento de uma criança de 12 anos, que morreu em fevereiro. Segundo a investigação, apenas parte da medicação foi entregue. O empresário Lisandro e um sócio foram condenados pela Justiça do Paraná por estelionato neste caso, embora o investigado negue o crime.
No Rio de Janeiro, a Polícia Civil também apura uma quadrilha envolvida no roubo e na redistribuição de medicamentos oncológicos. O grupo seria responsável por movimentar mais de R$ 33 milhões em um ano através da lavagem de produtos roubados ou desviados para o mercado regular.
