PF investiga esquema de desvio de verbas em ONG que gerenciava creches no Distrito Federal
Investigação aponta que Associação Beneficente Evangélica servia de fachada para desviar recursos públicos e beneficiar familiares de pastores.
Por Redação Diário Local
A Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) investigam a Associação Beneficente Evangélica (ABE) e três pastores por suspeita de desvio de verbas públicas. A organização, que foi contratada para a gestão de creches públicas, é investigada por supostamente servir de fachada para um esquema de corrupção no Distrito Federal.
A entidade, que possui sede em Samambaia e 18 filiais no Distrito Federal, geriu cerca de R$ 117 milhões em contratos firmados com a Secretaria de Educação do DF entre os anos de 2012 e 2025. O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) e o Tribunal de Contas do DF (TCDF) também apontaram irregularidades na prestação de contas da associação nos anos de 2024 e 2025.
Como funcionava o esquema de gestão
Segundo os relatórios da Polícia Federal, a gestão real da associação era exercida de forma oculta por Manoel Pereira Xavier e por sua esposa, Maria Marta Xavier. Embora Willthimberg Bittencourt da Silva constasse como presidente formal da ONG, os investigadores apontam que ele atuava apenas para cumprir requisitos legais e assinar documentos.
A investigação revela que a estrutura contava com diretores "laranjas", empresas de fachada e a contratação de diversos familiares dos envolvidos. Filhos, noras e sobrinhas de Manoel e Maria Marta ocupavam cargos na entidade e recebiam salários de convênios federais, comandando também as empresas que venciam os processos de contratação da associação.
Um dos focos da apuração é o uso de verbas destinadas a projetos culturais e de capacitação. A PF identificou que, de R$ 850 mil recebidos via convênios com o Ministério da Cultura (MinC) e o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) em 2024, mais de R$ 420 mil teriam sido desviados para uma papelaria em Taguatinga (DF).
Quem são os investigados
De acordo com a Polícia Federal, 12 pessoas integram a investigação. Entre os principais nomes estão o gestor oculto Manoel Pereira Xavier e a diretora financeira Maria Marta Xavier, que é acusada de ordenar pagamentos e receber repasses em conta pessoal. A nora do casal, Poliana Rodrigues Lopes Xavier, é apontada como sócia da papelaria Bras Gel, que teria recebido o montante desviado.
O esquema também envolveria o contador Ademar de Sena Sampaio, suspeito de articular as fraudes financeiras, e outros familiares e prestadores de serviço que teriam facilitado o acesso a sistemas de repasse de recursos federais para burlar os controles governamentais.
