Estação Morro de São João é retirada de prioridades do metrô no Rio e fica sem previsão de uso
Estrutura entre Botafogo e Copacabana já foi escavada com dinheiro público, mas foi excluída de novo contrato de concessão.
Por Redação Diário Local
A estação Morro de São João, localizada entre Botafogo e Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, foi retirada da lista de prioridades da Secretaria Estadual de Transportes (Setram) e deixou de integrar o escopo da concessão do MetrôRio. A estrutura física, que já foi escavada com recursos públicos há décadas, não tem previsão de retomada para o atendimento de passageiros.
A exclusão do projeto ocorreu durante a repactuação da concessão em 2025. O novo acordo unificou as Linhas 1, 2 e 4 sob a mesma gestão e estendeu o contrato até 2048. Entre as novas obrigações de investimento estabelecidas no documento consta o aporte de R$ 600 milhões para a conclusão da Estação Gávea, mas a previsão para Morro de São João, que constava como possibilidade de expansão em um aditivo de 2007, foi removida.
Qual o potencial da estação para a região?
A localização da parada tem potencial para criar um novo polo de mobilidade entre os bairros de Botafogo, Urca, Copacabana e Leme. De acordo com estudos antigos, a estação poderia registrar entre 14 mil e 15 mil embarques diários, o que ajudaria a distribuir melhor a demanda da Zona Sul.
A implementação da parada poderia desafogar o fluxo elevado da estação Botafogo e facilitar o acesso ao Shopping Rio Sul e ao entorno. Além disso, a estação favoreceria a integração com ônibus, bicicletas e deslocamentos a pé na área.
Contudo, especialistas ressaltam que a retomada exige novos estudos técnicos. É necessário atualizar as projeções de passageiros e analisar a viabilidade de custo-benefício, considerando os efeitos econômicos, ambientais e os impactos de uma obra de metrô, como alterações no trânsito local.
Disputa por prioridades no metrô
A estação Morro de São João precisa disputar espaço com outras expansões já previstas na rede, como a conclusão da Estação Gávea, a extensão da Linha 2 até a Praça XV e o planejamento para a futura Linha 3 e ampliação da Linha 4.
Para a Associação de Moradores e Amigos de Botafogo (AMAB), a situação é vista como uma oportunidade perdida. A entidade classifica a decisão da Setram como decepcionante e mantém a cobrança pela construção da estação, que é considerada uma demanda histórica para trabalhadores e moradores do bairro.
Existe ainda o histórico de projetos de integração, como uma proposta anterior de criar um corredor com escadas rolantes conectando a estação diretamente ao Shopping Rio Sul. Até o momento, não há informações sobre a posição atual do empreendimento quanto a essa colaboração.
