Ex-fiscal é investigada por sacar R$ 3 milhões em esquema de desvio no Rio
Investigação do Ministério Público aponta que Caroline Soares Barros, a 'Mulher da Mala', participou de desvio de R$ 86 milhões no Instituto Rio Metrópole.
Por Diário Local
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou, nesta quinta-feira (9), a Operação Ouroboros para investigar um esquema de corrupção que teria desviado mais de R$ 86 milhões dos cofres do estado por meio do Instituto Rio Metrópole (IRM).
A investigação aponta a ex-fiscal Caroline Soares Barros como uma das principais envolvidas no esquema. Apelidada de 'Mulher da Mala', ela é suspeita de realizar 13 saques de dinheiro vivo que totalizam R$ 3 milhões entre maio de 2025 e janeiro de 2026. Em um dos episódios, em uma agência bancária de Teresópolis, na Região Serrana, ela teria utilizado escolta armada para retirar parte dos valores.
A operação realizou o cumprimento de seis mandados de prisão e nove de busca e apreensão. Ao todo, 11 pessoas foram denunciadas pelos crimes de lavagem de dinheiro, corrupção passiva, fraude à licitação e organização criminosa.
Como funcionava o desvio de recursos?
Segundo o Ministério Público, o Instituto Rio Metrópole, que atua no planejamento do desenvolvimento da Região Metropolitana em áreas como saneamento e transporte, era utilizado como ferramenta para o desvio de verbas públicas. O esquema consistia no direcionamento de licitações para empresas previamente escolhidas, que firmavam contratos fictícios com a autarquia.
O prejuízo estimado pelo órgão é de mais de R$ 86 milhões no período entre 2022 e 2025. As investigações começaram em janeiro deste ano, após uma denúncia sobre um saque de R$ 500 mil em espécie realizado pela ex-fiscal em Teresópolis.
Quem são os investigados presos?
A operação resultou na prisão de diversos membros da estrutura do instituto e de empresas envolvidas. Entre os alvos estão o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, e o diretor do instituto, Franquis Dias Nepomuceno, que é delegado e apontado como proprietário da empresa de vigilância Rioforte, responsável pela escolta das retiradas.
Também foram presos Marcelo Lopes da Silva, procurador do estado e ex-procurador-geral do IRM; Mauricio Silva Knoploch dos Santos, diretor de Planejamento e Projetos do IRM; e Amanda Íthala Santos da Paschoa, gestora de contratos da autarquia. A Justiça determinou o afastamento dos servidores e o sequestro de bens dos acusados.
O governo do estado informou que a atual direção do Instituto Rio Metrópole foi nomeada na gestão do governador em exercício, Ricardo Couto, e que as investigações são fruto de auditorias iniciadas pela nova administração em março.
