Exame toxicológico da CNH pode detectar desde drogas até medicamentos para dor
Teste exigido para as categorias A e B pode identificar o uso de substâncias como cocaína, anfetaminas e até medicamentos como morfina
Por Redação Diário Local
O exame toxicológico exigido para a emissão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A e B pode identificar o uso de substâncias ilícitas, como cocaína e maconha, além de componentes presentes em medicamentos para dor. A obrigatoriedade para novos condutores foi aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro de 2025, exigindo que candidatos apresentem resultado negativo para obter a habilitação.
A coleta é realizada a partir de amostras de cabelo, pelos ou unhas. A escolha desses materiais ocorre devido à presença de queratina, uma proteína que retém determinadas substâncias por um período mais longo. Segundo o médico Raul Alejandro Paredes Manriquez, da área de Medicina do Tráfego, a análise do cabelo pode oferecer uma janela de detecção de aproximadamente 90 dias.
Diferente dos exames de sangue ou urina, que detectam consumos mais recentes, o teste de queratina permite um histórico mais amplo. O especialista explica que a análise também consegue diferenciar componentes como o THC e o CBD, que podem aparecer separadamente no resultado final.
Quais substâncias podem dar positivo no exame?
Entre os grupos de substâncias pesquisados estão a cocaína e seus derivados, como o crack, e as anfetaminas, que incluem o "rebite" e o ecstasy (MDMA). O teste também identifica canabinoides, relacionados à maconha, haxixe e skunk.
Além desses, o exame detecta opioides e opiáceos. De acordo com a prática clínica de Manriquez, os resultados positivos ocorrem com maior frequência entre os estimulantes, como as anfetaminas, e as substâncias relacionadas à cannabis (THC).
Medicamentos podem influenciar o resultado?
Um resultado positivo não significa necessariamente o consumo recreativo de drogas. Medicamentos utilizados para tratar dores podem conter substâncias identificáveis no teste, como o tramadol, a codeína e a morfina.
Nesses casos, o resultado deve ser interpretado com base no histórico e na condição de saúde do condutor. O motorista pode precisar apresentar um laudo médico de um profissional responsável, como um ortopedista ou neurocirurgião, explicando a condição de saúde e a terapêutica adotada.
Essa diferenciação é fundamental, especialmente com o aumento do uso de derivados de cannabis para fins medicinais. A análise técnica deve considerar a finalidade e a forma de utilização da substância para evitar interpretações equivocadas sobre o uso de remédios.
