Fábrica de aviões do Galeão foi pioneira na indústria aérea brasileira antes da Embraer
Planta industrial funcionou no Rio de Janeiro por 29 anos e foi essencial para a formação de mão de obra e tecnologia no setor
Por Redação Diário Local
A Fábrica de Aviões do Galeão, localizada no Rio de Janeiro, foi o principal embrião da indústria aeronáutica brasileira e antecedeu a criação da Embraer. A unidade industrial, que funcionou entre 1936 e 1965, foi fundamental para que o país passasse a dominar processos de projeto, montagem e revisão de aeronaves.
Originalmente denominada Oficinas Gerais de Aviação Naval (OGAvN), a planta operou por 29 anos e entregou 471 aeronaves em sua linha de montagem. A trajetória da fábrica permitiu a transição do Brasil de um cenário de experimentos isolados para uma política de soberania tecnológica no setor aéreo.
Por que a fábrica foi criada?
A necessidade de uma estrutura industrial surgiu da falta de capacidade técnica para manter aviões importados. Dados históricos indicam que, entre 1927 e 1935, a Aviação Naval e a Aviação do Exército adquiriram centenas de aeronaves, mas grande parte delas encontrava-se fora de condições de operação por falta de manutenção adequada.
Para buscar soluções, o Brasil estabeleceu acordos de cooperação e transferência de tecnologia. Inicialmente, a parceria foi firmada com a Alemanha, o que permitiu a chegada de engenheiros e o treinamento de trabalhadores brasileiros. Posteriormente, a produção seguiu por meio de entendimentos com os Estados Unidos e a Holanda.
O processo envolveu o aprendizado de técnicas de engenharia e controle de qualidade que ainda não faziam parte do cotidiano industrial do país. Esse conhecimento foi o que permitiu a formação de mão de obra especializada que sustentaria o desenvolvimento do setor nas décadas seguintes.
Qual o impacto para a Embraer e o setor?
A Fábrica do Galeão é considerada uma precursora da Embraer. Grande parte dos profissionais que atuaram na unidade do Galeão integrou as equipes que formaram o Centro Técnico de Aeronáutica (CTA) e, mais tarde, a própria Embraer, fundada em 1969.
Entre as aeronaves produzidas na fase de parceria com a Alemanha, destacam-se o modelo FW 44 Stieglitz (conhecido como Pintassilgo), um avião de treinamento militar, e o bombardeiro bimotor FW 58 Weihe. Com a entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial em 1942, a parceria alemã foi encerrada, dando lugar à produção de modelos americanos, como o Fairchild M-62 (PT-19), chamado de "Cornell".
A fase final da fábrica teve a cooperação da holandesa Fokker, período em que foi produzido o avião de treinamento básico S.11 (T-21), que realizou seu primeiro voo em 1947.
