Famílias acusam médium de usar dados da internet para fraudar cartas psicografadas
Denúncias de uso de informações públicas para produzir mensagens de pessoas falecidas chegaram ao Ministério Público e à Polícia Civil no DF.
Por Redação Diário Local
Famílias que procuraram a médium Máira Rocha em busca de mensagens de parentes mortos acusam a profissional de utilizar informações disponíveis na internet para produzir cartas apresentadas como psicografadas. As denúncias sobre a atuação da médium já foram levadas ao Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF).
Segundo relatos reunidos em investigação, trechos das mensagens enviadas coincidiam com dados de fontes abertas, como publicações em redes sociais, reportagens e obituários. Pesquisadores ouvidos sobre o caso apontam que o conjunto de informações solicitadas antes das sessões pode facilitar buscas sobre o falecido e seus parentes na rede mundial de computadores.
Um dos casos envolve a mãe de um jovem que morreu em um acidente de carro. Durante uma transmissão, a médium apresentou o rapaz como jogador de futebol, o que não era verdade. A família afirma que a informação coincidia com uma reportagem antiga que mostrava o jovem utilizando um uniforme esportivo.
Outro relato descreve que uma expressão utilizada em uma mensagem, apresentada como característica de um marido falecido, foi identificada posteriormente em uma publicação antiga feita pelo homem em suas redes sociais. A mulher relatou que a mensagem continha termos que ela reconheceu como típicos do cônjuge, mas que constavam em registros digitais públicos.
As famílias também questionam a exigência de dados sensíveis antes dos encontros. Entre as informações solicitadas, constam nome completo, CPF do cliente e de acompanhantes, além de comprovantes de hotel ou passagens aéreas com cerca de 60 dias de antecedência. Em um dos casos, também foram pedidos o nome completo do falecido, a causa da morte e uma fotografia.
Investigações e registros policiais
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) instaurou uma notícia de fato após receber as denúncias sobre a conduta da médium. A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) também mantém investigação em curso relativa a fatos ocorridos em 2019.
Existem registros policiais envolvendo Máira em pelo menos cinco estados brasileiros com acusações de estelionato, calúnia, difamação e ameaça. Vale ressaltar que a existência desses registros não significa que a profissional tenha sido condenada por esses crimes.
Máira Rocha é fundadora da Casa da Caridade Inácio Daniel, localizada em Águas Claras. O site da instituição informa que ela coordena atividades ligadas à elaboração de cartas consoladoras e realiza trabalhos sociais financiados por meio de doações.
Resposta da médium
A médium não aceitou gravar entrevista sobre as acusações. Em transmissões públicas, ela rebateu os questionamentos e afirmou que poderá recorrer à Justiça contra pessoas que apresentarem acusações contra ela.
