Diário Local
São Paulo

Número de pessoas que moram sozinhas em São Paulo cresce 86% em 12 anos

Crescimento de domicílios individuais é impulsionado por custo de vida alto, verticalização da periferia e envelhecimento da população

Por Redação Diário Local

O número de pessoas que moram sozinhas na cidade de São Paulo registrou um crescimento de 86% entre os anos de 2010 e 2022. De acordo com dados do Censo de 2022, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a quantidade de domicílios individuais saltou de 504.945 para 940.250 no período.

A mudança reflete uma descentralização do fenômeno. Se em 2010 as residências solo estavam concentradas em bairros centrais e de alto poder aquisitivo, como Jardim Paulista, Vila Mariana e Itaim Bibi, o cenário atual mostra uma migração para as periferias. O distrito do Grajaú, na zona sul, passou a liderar o ranking com 24 mil residências individuais, superando áreas que antes dominavam o índice.

O Jardim Ângela (20,8 mil) e o Capão Redondo (20 mil) também aparecem entre os distritos com o maior número de moradores solitários na capital paulista.

Por que o número de pessoas morando sozinhas aumentou?

Especialistas apontam uma combinação de fatores para explicar o avanço da verticalização e dos domicílios unipessoais. O alto custo da habitação nas regiões centrais dificulta o acesso de populações com menor renda a apartamentos pequenos nessas áreas, empurrando a demanda para os extremos da cidade.

O processo de verticalização nas periferias também foi acelerado por programas habitacionais, como o Minha Casa, Minha Vida, e pela atuação de empresas do setor imobiliário em áreas de habitação social. Esse movimento transformou o perfil de bairros que antes eram marcados pela autoconstrução.

Além da questão econômica, o envelhecimento da população e as mudanças nas dinâmicas familiares têm impacto direto. O aumento de divórcios, viuvez e o movimento de filhos que saem de casa para buscar independência contribuem para o crescimento desse grupo.

Quem são os moradores solitários em São Paulo?

O perfil demográfico revela que os idosos constituem 40% do total de pessoas que vivem sozinhas na capital. Esse grupo tem crescido devido a processos naturais de mudança de ciclo de vida, como a saída dos filhos de casa.

O público jovem, entre 18 e 29 anos, também apresenta um crescimento expressivo, com aumento de 74% no número de pessoas vivendo sozinhas nos últimos 12 anos. Este segmento representa 11% do total de domicílios unipessoais da cidade.

Para os jovens, a busca pela primeira moradia tem ocorrido majoritariamente em distritos periféricos, como Grajaú, Bela Vista e Jardim Ângela, em razão das limitações orçamentárias para residir em áreas centrais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.