Polícia Civil prende grupo suspeito de aplicar golpes de R$ 10 milhões com uso de IA
Operação Cáritas prendeu cinco pessoas suspeitas de usar deepfake de personalidades em falsas campanhas de doação na internet
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) prendeu, nesta quarta-feira (28), cinco pessoas suspeitas de integrar uma organização criminosa especializada em aplicar golpes por meio de falsas campanhas de doação na internet. O grupo utilizava vídeos produzidos com inteligência artificial (IA) e imagens de personalidades públicas para induzir internautas a realizarem transferências financeiras fraudulentas.
As investigações indicam que o esquema teria movimentado cerca de R$ 10 milhões. A estratégia principal consistia no uso de tecnologias como o deepfake para simular a participação de figuras como o cantor Gusttavo Lima e os padres Marcelo Rossi, Fábio de Melo e Frei Gilson em causas beneficentes. Segundo a polícia, as doações eram feitas, em sua maioria, em valores baixos, como R$ 30 e R$ 50, o que facilitava a captação de um grande volume de vítimas.
Como funcionava o esquema de fraude?
O grupo mantinha uma estrutura organizada para criar e divulgar páginas falsas de arrecadação de donativos nas redes sociais. Para sensibilizar o público, os criminosos utilizavam imagens de pessoas em situação de vulnerabilidade, como idosos, crianças e indivíduos com doenças graves.
Após serem atraídos pelos conteúdos, os usuários eram direcionados a páginas que simulavam campanhas de caridade legítimas. No entanto, os valores arrecadados não eram destinados às causas anunciadas, mas sim transferidos para contas bancárias controladas pela organização criminosa.
A investigação revelou uma divisão clara de tarefas entre os integrantes, que incluía desde o desenvolvimento tecnológico das fraudes e gerenciamento de redes sociais até a formalização de empresas e a dispersão do dinheiro obtido ilicitamente.
Prisões e apreensões na Operação Cáritas
A Operação Cáritas foi realizada de forma simultânea no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. Até o momento, cinco suspeitos foram presos: dois em Planaltina (DF), um em Planaltina de Goiás, um em Uberlândia (MG) e um em Joinville (SC). Outros seis investigados são alvos de mandados de prisão preventiva.
Durante as buscas, as equipes policiais apreenderam veículos de luxo e identificaram ativos em criptomoedas avaliados em aproximadamente US$ 400 mil, o que equivale a cerca de R$ 2,14 milhões, conforme a cotação desta quarta-feira (28). Além disso, foram encontrados mais de 230 GB de dados armazenados, contendo roteiros, códigos de programação e materiais para novas campanhas.
A Polícia Civil informou que os investigados poderão responder pelos crimes de estelionato eletrônico, organização criminosa e lavagem de dinheiro. As diligências continuam para identificar outras possíveis vítimas e ramificações do grupo.
