Greve dos rodoviários continua após rejeição de acordo; passageiros enfrentam atrasos e filas no Rio
Sindicato rejeitou proposta de reajuste de 4,39% e mantém paralisação por tempo indeterminado; nova assembleia será realizada nesta quarta-feira.
Por Diário Local
A greve dos rodoviários foi mantida após tentativa de acordo ser recusada em audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), nesta terça-feira. O sindicato rejeitou proposta de reajuste salarial de 4,39% e reafirmou sua demanda por 17% de reajuste, dividido em duas parcelas de 8% e 8,3%.
A paralisação segue gerando impacto direto nos passageiros que dependem do transporte público na cidade. Filas alongadas nos pontos e terminais, atrasos para chegar ao trabalho ou em casa e ônibus lotados marcaram o dia de terça-feira.
A auxiliar de serviços gerais Shirlaine Marçal, de 42 anos, acordou às 3h30 para tentar pegar condução até o trabalho, no Centro do Rio. Após longa espera e com ajuda de uma van, conseguiu chegar à estação do BRT, porém atrasada. Ao final do dia, em filas no Terminal Gentileza às 18h20, sua estimativa era alcançar Jardim Bangu, zona onde mora, próximo às 21h.
"Meus patrões já imaginavam que isso iria acontecer, então não responsabilizaram ninguém. É horrível passar por isso. Eu nunca vi o Terminal Gentileza tão lotado assim. É uma fila imensa, com pouca informação para os passageiros sobre onde pegar o BRT", relatou Shirlaine.
Tamara Quintela, de 28 anos, enfermeira especializada em higienização, vivenciou situação semelhante. Nesta terça levou 1h40 da Praça da Bandeira, onde trabalha, até em casa, em Irajá — trajeto que normalmente faz em 25 minutos. Ela saiu de casa às 5h40 e só conseguiu chegar ao trabalho às 9h45.
"É uma experiência que eleva nosso estresse, nosso desânimo em ir para o trabalho ou para casa. A gente entende a causa dos rodoviários, claro, mas não temos culpa por essa situação", lamenta Tamara, que relata que a frota deve estar ainda mais reduzida nesta quarta.
Proposta rejeitada e continuidade da greve
O Tribunal Regional do Trabalho e o Ministério Público do Trabalho apresentaram proposta para que o sindicato adotasse o estado de greve, suspendendo a paralisação sem desconto dos dias parados. A maioria dos trabalhadores, porém, votou pela continuidade da paralisação por tempo indeterminado.
O Rio Ônibus informou que não fará nova oferta, alegando dificuldades financeiras e redução dos subsídios ao sistema de transporte. O sindicato cobra reajuste dividido em duas parcelas, sendo uma de 8% agora e 8,3% em novembro, totalizando os 17% reivindicados pela categoria.
"O clima estava muito acirrado e os trabalhadores não aceitaram a proposta encaminhada pelo Tribunal. Na votação, coloquei em votação se suspenderíamos a paralisação ou se manteríamos a greve. A decisão da categoria por maioria foi a manutenção da greve por tempo indeterminado", afirmou Sebastião José, presidente do Sindicato dos Rodoviários.
Próximos passos
Uma nova assembleia está marcada para esta quarta-feira para dar sequência às negociações, que foram aceitas pelas empresas de ônibus. O TRT-1 esclareceu que, no momento, ainda não foram apreciadas questões relativas ao eventual descumprimento da decisão liminar. A fase atual do processo é destinada à tentativa de conciliação entre as partes. Eventual descumprimento, aplicação de multa e identificação de responsável somente serão analisados posteriormente, caso não haja acordo.
