Homem descobre condenação por assalto em Vila Velha e suspeita que irmão usou seu nome
Adileno Mathias afirma que nunca foi preso e suspeita que o irmão, Adriano, utilizou seu nome em um assalto ocorrido em 2021.
Por Redação Diário Local
O trabalhador autônomo Adileno Mathias afirma ter sido condenado por um assalto ocorrido em uma sorveteria no bairro Cobilândia, em Vila Velha, apesar de sustentar que nunca cometeu o crime ou foi preso pelo caso. Ele relatou que só descobriu a condenação ao tentar realizar a renovação de sua Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Durante o procedimento para a renovação do documento, Adileno foi questionado sobre supostas pendências com a Justiça e uma prisão anterior. O autônomo afirmou que, na ocasião, negou qualquer envolvimento com crimes ou histórico criminal.
O assalto registrado no processo teria ocorrido em 30 de julho de 2021 (quinta-feira). Imagens de segurança do dia mostram um homem em uma sorveteria, mas a defesa de Adileno argumenta que o indivíduo que aparece nas filmagens não é o autônomo.
A defesa também destaca que, durante o processo judicial, a vítima não realizou o reconhecimento de Adileno como o autor do delito. O autônomo mencionou, ainda, que um guarda municipal teria descrito o homem detido no dia do crime como alguém com características de pessoa em situação de rua, o que não corresponderia à sua aparência.
Suspeita de troca de identidade
A advogada Sheilla Monique de Abreu, que assumiu o caso, afirma que a suspeita de erro de identificação ganhou força após consulta ao Infopen, sistema que reúne informações sobre pessoas privadas de liberdade. Segundo a defesa, ao analisar os dados de Adriano, irmão de Adileno, encontrou-se um registro de prisão na mesma data em que Adileno teria sido preso em flagrante pelo assalto.
A advogada sustenta que um alvará expedido no processo em nome de Adileno teria sido cumprido no cadastro de seu irmão. Questionada pela defesa, a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) informou que não consta registro no Infopen em nome de Adileno.
A Sejus encaminhou um ofício à unidade prisional onde Adriano está custodiado para que seja realizada uma nova identificação criminal. O objetivo é esclarecer se houve a troca de nomes no sistema prisional durante o cumprimento do flagrante.
Próximos passos jurídicos
Diante da condenação, a defesa informou que pretende impetrar um habeas corpus preventivo, com pedido de salvo-conduto, para evitar que Adileno seja preso enquanto a possível troca de identidade é apurada. A medida busca garantir que o autônomo não seja detido durante o esclarecimento do erro.
Adileno relatou que a situação tem gerado medo constante de abordagens policiais e afetado sua rotina. O autônomo afirmou que tem dificuldades para dormir e evita circular em vias públicas por receio de intervenções policiais.
A Justiça orientou que o cidadão procurasse a Defensoria Pública ou um advogado para formalizar a situação por meio de boletim de ocorrência ou diretamente na Vara de Execuções. A defesa confirmou que já acompanha o caso e preparará o pedido judicial.
