Jornalista recebe ataques racistas e ameaças de morte após apoiar Lula
Mateus Fernandes teve endereço exposto e precisou deixar a casa após receber ameaças de tortura e morte nas redes sociais.
Por Redação Diário Local
O jornalista e ativista ambiental Mateus Fernandes, de 26 anos, acionou o Ministério Público de São Paulo (MPSP) após sofrer uma série de ofensas racistas e ameaças de tortura e morte nas redes sociais. O profissional registrou boletim de ocorrência e relata que as mensagens de ódio ocorreram após ele manifestar apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo a representação enviada ao MPSP, os ataques foram coordenados e enviados em intervalos regulares de aproximadamente 30 minutos. O conteúdo das mensagens incluía manifestações de ódio racial, apologia ao nazismo, supremacia branca e referências a métodos de tortura física, como decapitação e mutilação.
O jornalista relatou ter recebido ao menos oito ameaças de morte entre a última quarta-feira (7) e esta segunda-feira (12). Entre os ataques registrados, havia menções a organizações de supremacia branca e citações a figuras ligadas ao regime nazista.
Devido à gravidade das ameaças, que incluíram a exposição de seu endereço residencial, Mateus Fernandes precisou deixar sua casa temporariamente. Ele afirmou que as mensagens mencionavam seu nome, a região onde mora e até prazos específicos para a execução da violência.
Mateus relatou que, embora sofra ataques violentos nas redes sociais desde 2018, decidiu recorrer à Justiça desta vez por sentir que sua integridade física e de sua família está em risco imediato. O profissional realizou capturas de tela para preservar as provas, já que perfis e comentários foram excluídos após a publicação das ofensas.
A defesa do jornalista, representada pelo advogado Thiago Farias, solicitou ao MPSP que órgãos especializados, como o Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) e o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (CyberGaeco), atuem no caso.
O pedido jurídico inclui a exigência de que a Meta, empresa responsável pelas redes sociais, forneça os endereços de Protocolo de Internet (IP) e os dados cadastrais dos usuários investigados. O objetivo é identificar os autores das mensagens, que utilizam perfis falsos para realizar as ofensas.
Além da investigação, a defesa requereu uma medida protetiva de segurança pessoal junto à Polícia Militar de São Paulo. O pedido visa garantir a preservação da integridade do jornalista e de seu núcleo familiar diante do cenário de ameaças constantes.
