Justiça mantém prisão de diarista acusada de matar casal de idosos em Belo Horizonte
Tribunal de Justiça de Minas Gerais negou pedido de habeas corpus para a mulher investigada por duplo latrocínio no bairro São Pedro.
Por Redação Diário Local
A 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou, em acórdão juntado ao processo nesta terça-feira (13), o pedido de habeas corpus apresentado pela defesa de Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos. A decisão mantém a prisão preventiva da diarista, acusada de responder por dois latrocínios consumados, fraude processual e furto mediante fraude.
O crime ocorreu no dia 29 de junho, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, contra o casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos. O relator do recurso, desembargador Valladares do Lago, acompanhou o parecer da Procuradoria-Geral de Justiça e decidiu pela manutenção da prisão.
Como ocorreu o crime
Segundo a denúncia e os elementos do inquérito policial descritos no acórdão, Paola trabalhava como diarista e foi indicada por um parente das vítimas para prestar serviço no apartamento no dia dos fatos. A investigação aponta que ela teria colocado o medicamento clonazepam em um suco preparado para Maria Clotilde.
Após o efeito sedativo, a mulher teria atacado o casal com uma faca da residência. Cláudio foi atingido por 43 facadas, enquanto Maria Clotilde sofreu pelo menos 15 golpes e uma tentativa de asfixia com uma almofada. As causas das mortes foram registradas como politraumatismo perfurocortante.
Após o crime, a acusada teria subtraído mais de R$ 19 mil em dinheiro, joias, relógios de luxo, eletrônicos e cartões bancários. Para dificultar a perícia, ela teria lavado a faca, limpo o piso com água sanitária e descartado roupas ensanguentadas.
Argumentos da defesa e da Justiça
Os advogados de defesa alegaram que Paola é primária, possui bons antecedentes e laços familiares na região, tratando o caso como um fato isolado. O pedido de liberdade visava a aplicação de medidas cautelares alternativas à prisão.
No entanto, o desembargador Valladares do Lago rejeitou os argumentos, destacando a premeditação e o planejamento do crime, que incluiu a dopagem das vítimas e a tentativa de fuga organizada. A decisão também ressaltou a gravidade do delito e a vulnerabilidade das vítimas, idosas de 75 e 76 anos.
Sobre a saúde mental da acusada, o tribunal reforçou que um laudo oficial de insanidade mental concluiu que ela possuía capacidade de entendimento e determinação preservadas na época dos fatos, afastando a tese de surto psicótico. Paola permanece presa no Presídio Feminino José Abranches Gonçalves.
