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Educação

Índices de leitura entre adolescentes atingem o pior nível desde 2000, aponta OCDE

Avaliação global do Pisa mostra declínio em leitura, matemática e ciências, com relação ao aumento do tempo de uso de telas.

Por Redação Diário Local

Os índices de leitura entre adolescentes atingiram o nível mais baixo registrado desde o ano 2000, segundo a última edição do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), divulgada nesta terça-feira (8).

A avaliação, realizada com 760 mil jovens de 15 anos em 91 países, mostrou que o desempenho em leitura, matemática e ciências também alcançou os menores patamares desde o início da coleta de dados, há 26 anos. Em termos médios, o nível de leitura apresentado pelos estudantes era o esperado para jovens um ano mais novos em períodos anteriores.

A pontuação máxima em leitura, que chegou a 501 pontos em 2012, recuou para 466 no último levantamento. O declínio foi mais acentuado entre alunos de origens abastadas.

Por que o desempenho caiu?

O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, atribuiu os resultados ao aumento do tempo de tela e à diminuição da leitura por prazer. Segundo ele, os estudantes têm adotado uma leitura mais apressada, percorrendo os textos rapidamente e cometendo erros de interpretação.

Cormann explicou que o uso de dispositivos digitais pode auxiliar o aprendizado, mas alerta para o limite: se o tempo de uso ultrapassar 5 horas diárias, os resultados começam a cair. Nos países-membros, os jovens relataram gastar, em média, 3,4 horas por dia útil com dispositivos para lazer.

Embora o relatório aponte que a distração digital está associada a notas mais baixas em ciências em grande parte dos sistemas educacionais estudados, o documento não endossa a proibição de smartphones nas escolas.

Impacto da inteligência artificial

O estudo também identificou o uso de ferramentas de inteligência artificial entre os estudantes. Quase metade dos alunos utiliza chatbots regularmente para fins de aprendizado.

Contudo, o relatório traz um alerta sobre a forma de uso: alunos que utilizam a tecnologia para redigir redações, resumir textos ou realizar pesquisas tendem a obter notas cerca de 20 pontos mais baixas em ciências. Esse recuo equivale, aproximadamente, a um ano de aprendizado perdido.

Desempenho por região

O Leste Asiático manteve o melhor desempenho global. Além de cidades chinesas, o Japão, a Coreia, Singapura e Taiwan figuram entre os melhores sistemas educacionais do teste.

Fora dessa região, apenas o Reino Unido e a Estônia conseguiram ocupar as dez primeiras posições nos critérios de leitura, matemática e ciências.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.