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Saúde

Fila do SUS deve virar instrumento de gestão com uso de inteligência artificial, propõe médica

Cardiologista Ludhmila Hajjar defende reformulação da alta complexidade no sistema público para o próximo governo.

Por Redação Diário Local

A cardiologista Ludhmila Hajjar defende que a fila do Sistema Único de Saúde (SUS) deixe de ser apenas uma lista de espera para se transformar em um instrumento de gestão clínica. A proposta de reformulação da alta complexidade no setor público de saúde foi apresentada em artigo publicado nesta terça-feira (8).

Segundo a médica, que é professora titular de Emergências Clínicas do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, o sistema deve utilizar inteligência artificial para identificar pacientes com maior risco de complicações ou em piora clínica. O objetivo é permitir que o atendimento seja antecipado com base na necessidade terapêutica e no diagnóstico de cada caso.

Como funcionaria a nova gestão da alta complexidade?

A proposta de Hajjar está estruturada em cinco eixos de ação para o próximo governo. O primeiro deles prevê a criação de uma Central Nacional Inteligente de Acesso à Alta Complexidade. Esta central seria conectada a estados, municípios e hospitais para reunir dados sobre leitos, equipamentos, capacidade ociosa e filas de espera.

O segundo eixo foca na mudança de métricas para a avaliação hospitalar. A especialista defende que o sucesso de um hospital não seja medido pelo volume de cirurgias realizadas, mas por indicadores como tempo de espera, mortalidade, reintervenções, complicações e desfechos clínicos. A ideia é que o tempo de espera seja considerado clinicamente adequado para garantir o resultado da cirurgia.

Além disso, o modelo de financiamento seria alterado. Em vez da remuneração por procedimento, o SUS passaria a utilizar contratos de desempenho orientados por valor, o que recompensaria as unidades de saúde que conseguirem reduzir filas e apresentar melhores resultados clínicos.

O que muda no acesso a medicamentos e dados?

O terceiro eixo trata do acesso a medicamentos de alto custo. A proposta busca equilibrar o acesso a novas tecnologias com a sustentabilidade financeira. Para isso, sugere-se o fortalecimento da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec), com mecanismos como o pagamento por resultado e renegociação de preços baseada no volume de uso.

No quarto eixo, a prioridade é a integração de dados clínicos. Hajjar aponta que, atualmente, as informações de um paciente podem ficar fragmentadas entre diferentes municípios e níveis de atenção. A solução proposta é um prontuário digital que acompanhe o cidadão em qualquer unidade de saúde, permitindo identificar em tempo real onde há disponibilidade de atendimento.

O quinto eixo trata da regionalização. O plano propõe concentrar procedimentos extremamente raros e complexos em centros de excelência para garantir a qualidade, enquanto o diagnóstico e a parte da recuperação poderiam ocorrer de forma descentralizada, mais próxima de onde o paciente reside.

Plano Nacional de Alta Complexidade 2030

As sugestões culminam na proposta de um Plano Nacional de Alta Complexidade 2030. O documento prevê compromissos como a redução do tempo de espera, a integração de dados e a criação de uma rede nacional de centros de excelência conectados digitalmente.

A médica também defende que o governo federal utilize seu poder de compra para negociar preços de equipamentos, próteses e medicamentos. Segundo Hajjar, a meta é aumentar a eficiência dos gastos públicos, garantindo que o sistema entregue mais saúde por meio de um modelo integrado e inteligente.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.