Médica que sugeriu não dar alta a petistas pede desculpas e afirma que voto é secreto
Profissional foi demitida após enviar mensagem em grupo de trabalho sugerindo restrição de alta médica por convicção política.
Por Redação Diário Local
A médica Marcella Segato de Sousa Melo pediu desculpas publicamente após enviar mensagens em um grupo de profissionais de saúde sugerindo que pacientes com inclinação política ao Partido dos Trabalhadores (PT) não recebessem alta médica. Em nota enviada à imprensa, a profissional afirmou que seu voto é secreto e que jamais atrasou ou negou procedimentos por motivos ideológicos ou políticos.
Marcella atuava como profissional terceirizada no Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), e foi demitida da unidade após o episódio. Na nota, ela lamentou que suas mensagens tenham destoado do compromisso que orienta sua atuação profissional e afirmou que o conteúdo enviado não reflete sua conduta real no hospital.
A profissional ressaltou que, desde 2017, realizou milhares de partos de mulheres com diferentes origens e convicções. Segundo a médica, todas as avaliações e liberações de alta foram baseadas exclusivamente em critérios clínicos, sem que nenhuma paciente tenha tido o procedimento atrasado ou negado por preferência política.
O que aconteceu no grupo de médicos?
O caso ganhou repercussão devido a uma mensagem enviada na última sexta-feira (02) em um grupo de médicos, antes da votação do primeiro turno das eleições. Na ocasião, a profissional orientou que os colegas que estivessem na enfermaria no domingo (04) não dessem alta para os pacientes, sob a justificativa de que "a maioria é petista".
A mensagem foi acompanhada por reações de outros integrantes do grupo, que utilizaram emojis de risada, sinal de positivo e bandeiras do Brasil. O episódio resultou em uma denúncia apresentada ao Ministério Público Federal (MPF).
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que as denúncias relacionadas à médica já estão sendo apuradas. De acordo com o órgão, o processo tramita sob total sigilo, conforme determina o Código de Processo Ético-Profissional Médico.
Em sua defesa, a médica reforçou que o voto deve ser respeitado sem qualquer tipo de retaliação. Ela pediu desculpas aos pacientes, às suas famílias, aos colegas de trabalho e aos internos da unidade hospitalar onde trabalhava.
