Meme pode ser tratado como folclore para aproximar estudantes da cultura brasileira, sugerem especialistas
Especialistas defendem que o Dia do Folclore, celebrado neste sábado (22), deve ir além de lendas para incluir cultura digital e música.
Por Redação Diário Local
O Dia do Folclore, celebrado neste sábado (22), pode servir como ponto de partida para aproximar os estudantes da cultura brasileira por meio de elementos contemporâneos, como memes e música. A proposta pedagógica busca evitar que o tema seja visto apenas como algo antigo ou restrito às lendas tradicionais.
Para Milena Fiuza, diretora pedagógica do Sistema Positivo, o desafio das instituições de ensino é superar uma abordagem que trate o folclore como algo estático. Segundo a especialista, o folclore é a expressão viva do povo e deve incluir as manifestações que ocorrem atualmente nas cidades.
A especialista questiona se ritmos como o funk ou fenômenos como os memes também não poderiam ser integrados nesse contexto. Para ela, essas perguntas ajudam a provocar uma reflexão sobre como as manifestações culturais continuam sendo construídas pelas diferentes gerações.
A ideia não é substituir as tradições consolidadas, mas compreender que a cultura popular incorpora novas linguagens e comportamentos. Ao trabalhar o tema de forma ampla, as escolas podem discutir assuntos como diversidade, preservação ambiental e identidade cultural.
Maria Elba Soares, especialista em soluções educacionais da Arco Educação, reforça que a data pode se tornar um ponto de partida para experiências interdisciplinares durante todo o ano letivo. Ela destaca que a cultura popular está presente em diversas esferas da vida cotidiana.
Segundo a especialista, a conexão do aluno com as histórias, músicas, brincadeiras e culinária ajuda na compreensão da construção da identidade brasileira. Quanto mais o estudante percebe essas ligações, mais o tema se torna relevante para sua realidade.
Como levar o folclore para a sala de aula?
Especialistas sugerem diversas formas de transformar o aprendizado em experiências práticas. Uma das sugestões é investigar as origens indígenas e africanas de lendas como a do Saci, da Cuca e da Iara, comparando diferentes versões das narrativas.
Para isso, os alunos podem utilizar recursos tecnológicos, como a produção de podcasts, vídeos ou radionovelas. O objetivo é entender como essas histórias foram reinterpretadas ao longo da história do país.
O debate também pode ser voltado para a preservação dos biomas brasileiros. Personagens como o Curupira e a Caipora oferecem oportunidades para introduzir temas como mudanças climáticas, queimadas e a conservação da biodiversidade.
A cultura digital também tem espaço nas propostas pedagógicas. A análise de memes, vídeos virais e expressões populares das redes sociais ajuda a entender como o comportamento coletivo reflete a transformação contínua da cultura.
Saberes familiares e tradições
Outro caminho sugerido é o resgate de saberes que atravessam gerações dentro das famílias. Isso inclui o estudo de receitas tradicionais, ditados populares, superstições e histórias contadas pelos membros mais velhos da comunidade.
A culinária, por exemplo, pode ser abordada como um patrimônio cultural. A organização de feiras gastronômicas com pratos pesquisados pelas famílias permite que os alunos compreendam a história dos povos que formaram o Brasil.
O estudo de plantas medicinais e conhecimentos tradicionais também pode aproximar a ciência da história local. A criação de herbários ilustrados é uma das atividades indicadas para registrar o uso popular de espécies da região.
Por fim, a oralidade permanece como uma ferramenta essencial de preservação. O uso de cantigas, desafios de adivinhas e a produção de cordéis são caminhos para manter viva a cultura popular por meio da linguagem e da experiência compartilhada.
