Adolescente de 13 anos empreende com venda de pipocas gourmet para custear estudos e metas pessoais
Josué Nogueira Moncalvo começou a vender pipocas para ajudar a família com gastos escolares e agora planeja comprar um celular e um computador
Por Redação Diário Local
O adolescente Josué Nogueira Moncalvo, de 13 anos, transformou a produção de pipocas em um negócio para ajudar a família com despesas domésticas e realizar objetivos pessoais. O que começou como um lanche levado para a escola tornou-se uma atividade de empreendedorismo que custeia materiais escolares e planos de consumo do jovem.
Ao notar que a lista de material escolar para o início do ano chegou a aproximadamente R$ 3 mil, Josué decidiu auxiliar o pai com o pagamento da conta. Para isso, ele buscou aperfeiçoar suas receitas por meio de vídeos na internet, desenvolvendo técnicas de caramelo e versões da pipoca com chocolate branco, chocolate ao leite e Ovomaltine.
Com o apoio da mãe, Luciana Moncalvo, de 51 anos, o jovem expandiu as vendas para além do ambiente escolar. Atualmente, as pipocas são oferecidas no bairro Coqueiral, em Vila Velha (ES), em praças e para conhecidos da comunidade religiosa onde vivem. O lucro tem sido utilizado para pagar as parcelas de uma bicicleta elétrica e para poupar para a compra de um computador e de um celular.
O caso de Josué não é único na prática do empreendedorismo infantil. Em outro exemplo, a menina Clara Van Der Kuip Labanca, de 9 anos, iniciou o negócio "Pudim da Clarinha" com o pai, o engenheiro Felipe Labanca, de 43 anos. Segundo a mãe de Clara, Bianca Van Der Kuip, de 48 anos, a iniciativa serve para ensinar noções de receita, despesa e lucro, com o rendimento sendo revertido para desejos da criança.
Como o empreendedorismo auxilia na educação financeira infantil?
A prática de pequenos negócios pode servir como método didático para introduzir conceitos de gestão de dinheiro. De acordo com Thais Souza, assessora de Desenvolvimento e Cooperativismo do Sicredi, a criança pode aprender sobre escolha, planejamento, espera e responsabilidade antes mesmo de lidar com cálculos complexos ou valores elevados.
Ao participar de processos de produção ou venda, o jovem compreende que os recursos são limitados e que o esforço e a criatividade geram resultados concretos. Projetos como as Cooperativas Escolares, aplicados em instituições de Viana (ES), auxiliam nesse processo ao exercitar a gestão democrática e o trabalho em equipe entre os estudantes.
Entretanto, especialistas alertam que a atividade deve ser conduzida com cautela para não gerar pressão desnecessária. Para Thais Souza, o foco deve estar no aprendizado, na experimentação e no desenvolvimento de competências, evitando que a cobrança por ganhos ou a comparação com outras crianças gere ansiedade.
Para os responsáveis, o incentivo deve acompanhar o equilíbrio com a rotina de estudos e convivência social. No caso de Josué, a mãe reforça que a continuidade do negócio está condicionada ao bom desempenho escolar e às atividades de lazer, como o taekwondo, garantindo que a criança preserve o tempo de infância.
