Enfermeira mineira é testemunha de milagre que levou italiano à canonização pela Igreja
Gleida Danese enfrentou doença grave em Passos (MG) e sua recuperação foi reconhecida como milagre atribuído a Santo Aníbal
Por Davy Albuquerque
A história de Gleida Danese, enfermeira de 50 anos, conecta a cidade de Passos, no Sul de Minas Gerais, ao processo de canonização de Santo Aníbal Maria Di Francia. A recuperação da mineira, ocorrida quando ela tinha nove anos de idade, foi reconhecida pela Igreja Católica como o primeiro milagre oficial decisivo para a elevação do italiano à condição de santo.
O caso teve início em julho de 1985, quando Gleida foi diagnosticada com a Síndrome de Guillain-Barré, um distúrbio autoimune raro que provoca fraqueza muscular e formigamento devido ao ataque do sistema imunológico aos nervos periféricos.
Durante a internação na Santa Casa de Misericórdia de Passos, a paciente enfrentou um quadro clínico severo, incluindo cinco paradas cardiorrespiratórias, um período de coma superior a um mês e a necessidade de realizar uma traqueostomia. Em um dos momentos mais críticos, a unidade de terapia intensiva sofreu uma interrupção no fornecimento de energia elétrica, o que agravou a situação.
Como ocorreu a recuperação
De acordo com os registros que integraram o processo de reconhecimento do milagre, a equipe médica da época considerou o quadro de Gleida como irreversível. No entanto, enquanto familiares realizavam orações na Capela do Educandário Senhor Bom Jesus dos Passos, a criança apresentou uma melhora súbita e recuperou os sinais vitais.
O reitor do Santuário Santo Aníbal, padre Silas de Oliveira, explicou que a documentação médica descreveu uma combinação complexa de fatores, como ruptura traumática da aorta, Síndrome de Guillain-Barré, anemia pós-hemorrágica grave e choque hipovolêmico. A Igreja concluiu que a recuperação foi cientificamente inexplicável.
A investigação para comprovar o fenômeno contou com o depoimento de mais de 30 testemunhas. Após a validação do caso, Gleida passou a figurar como testemunha oficial do milagre atribuído à intercessão de Aníbal Maria Di Francia.
O legado de Santo Aníbal
Aníbal Maria Di Francia nasceu na Itália em 1851 e fundou a congregação dos Rogacionistas do Coração de Jesus, dedicada ao serviço aos pobres e à promoção de vocações. Ele foi proclamado Bem-aventurado em 1990 pelo Papa João Paulo II e sua canonização ocorreu em 16 de maio de 2004.
A participação no processo de beatificação levou a família de Gleida a Roma, onde ela chegou a encontrar o Papa João Paulo II. Atualmente, a antiga capela onde as orações foram realizadas é um ponto de peregrinação para fiéis de diversas regiões.
Gleida, que hoje reside em Alcobaça (BA), afirma que a experiência moldou sua escolha pela enfermagem, buscando exercer o cuidado humanizado que recebeu durante o tratamento em Minas Gerais.
