Empresa de sancionado pelos EUA recebeu R$ 35 milhões de fraude em programa de fidelidade de postos
Investigação da Polícia Federal aponta que a Victory Trading, empresa de Victor Shimada, foi beneficiária de desvio de R$ 206 milhões.
Por Davy Albuquerque
A Polícia Federal (PF) identificou que a Victory Trading, empresa ligada a Victor Shimada, foi uma das principais beneficiárias de um esquema de fraude cibernética no programa de fidelidade Abastece Aí, do Grupo Ultra, que administra a rede de postos Ipiranga. A conta da empresa recebeu cerca de R$ 35 milhões desviados por meio do hackeamento.
A investigação aponta que a fraude causou um prejuízo total de R$ 206 milhões, valor pulverizado em contas de mais de 60 instituições financeiras. O crime ocorreu entre os dias 11 e 12 de agosto de 2024, quando fraudadores realizaram 18 mil transações via Pix no programa de pontos, sendo 6,7 mil delas bem-sucedidas.
Para movimentar os recursos, a empresa de Shimada utilizou a Nvio Brasil, instituição autorizada pelo Banco Central para operar com a criptomoeda Bitso. Essa manobra permitiu que R$ 32,8 milhões fossem enviados para o México.
Como funcionou a movimentação do dinheiro
A defesa de Victor Shimada argumentou que a Victory Trading é uma fintech regular e que também foi utilizada pelos criminosos para aplicar o golpe. Os advogados atribuíram a responsabilidade ao Banco Votorantim, responsável pela liquidação das operações, alegando falha no sistema de compliance que permitiu a saída do montante de R$ 206 milhões.
Shimada já possui histórico criminal e foi condenado em primeira instância, no dia 3 de julho de 2025, pelos crimes de furto qualificado mediante fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Até o momento, ele recorria da decisão em liberdade.
Sanções internacionais e investigações
Além do esquema no programa de fidelidade, o empresário foi sancionado pelo Departamento de Tesouro dos Estados Unidos por suposto envolvimento com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida do governo americano, baseada em conversas extraídas de um celular apreendido nos EUA, incluiu também outras empresas e pessoas ligadas ao investigado.
A Polícia Federal já havia emitido mandados de busca e apreensão contra Shimada e outros familiares durante a Operação Exchange. Apesar da ação, o principal alvo não foi localizado pelos agentes durante a diligência realizada em julho.
O histórico de Shimada também envolve acusações de lavagem de dinheiro para outros esquemas, incluindo casos como a Farra do INSS e o caso envolvendo a empresa Vai de Bet. A defesa do empresário informou que ele avalia a possibilidade de se entregar à Justiça e que trabalha com um pedido de habeas corpus para tentar reverter uma eventual prisão preventiva.
