Mototaxista é morto com sinais de tortura após realizar corrida em área sob controle de facção em Duque de Caxias
Corpo de trabalhador foi encontrado com marcas de tiros e sinais de tortura nesta quarta-feira (1); crime ocorre em reduto de facção rival.
Por Redação Diário Local
O corpo do mototaxista de aplicativo Maicon Alisson Lourenço, de 33 anos, foi encontrado nesta quarta-feira (30) com marcas de tiros e graves sinais de tortura em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o caso, ocorrido após o trabalhador aceitar uma corrida na tarde de segunda-feira (28) com destino ao bairro Pantanal.
A principal linha de investigação conduzida pelas autoridades aponta que Maicon foi interceptado e confundido com um integrante de uma facção rival. A suspeita é que o crime tenha sido motivado pelo fato de o trabalhador residir em uma área controlada por um grupo oposto ao que domina a região onde ele foi morto.
Segundo a apuração, o mototaxista é morador da comunidade do Corte 8, área sob influência do Comando Vermelho (CV). Ao realizar a viagem na segunda-feira (28), ele acabou entrando em território dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP).
O alerta sobre o possível desaparecimento de Maicon ocorreu quando ele deixou de buscar a filha pequena na escola, um compromisso que cumpria diariamente. O sumiço gerou preocupação entre familiares e conhecidos.
Após o desaparecimento, amigos e pessoas próximas ao trabalhador receberam mensagens intimidadoras. As mensagens acompanhavam uma fotografia que mostrava o mototaxista amarrado e sob custódia de criminosos. Poucas horas depois, a execução foi confirmada pela comunidade local.
O crime ocorre em um contexto de tensão para quem trabalha com transporte por aplicativo na região. Motoristas locais relatam que o cotidiano é marcado pelo medo, devido a ameaças de criminosos que tentam proibir a atuação desses profissionais em comunidades controladas pelo tráfico de drogas.
Em resposta ao assassinato e ao clima de insegurança imposto pelas facções, dezenas de mototaxistas e motoristas de aplicativo realizaram um ato de protesto pelas ruas de Duque de Caxias nesta quarta-feira (30).
A Delegacia de Homicídios da Baixada Fluminense (DHBF) está à frente do caso e trabalha para identificar e prender os autores da execução.
