MP pede investigação de suposta fraude de R$ 4,2 milhões entre ValeCard e Grupo Monte Carlo
Ministério Público de São Paulo solicitou inquérito para apurar denúncias de irregularidades em abastecimentos e movimentações financeiras.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) solicitou que a Polícia Civil instaure um inquérito para apurar denúncias de uma suposta fraude envolvendo a ValeCard e o Grupo Monte Carlo. O pedido, feito pelo promotor Evandro Ornelas Leal, de São José do Rio Preto (SP), investiga irregularidades que poderiam atingir o valor de R$ 4,2 milhões.
A notícia-crime foi apresentada pela Trivale Instituição de Pagamento, empresa responsável pela marca ValeCard. De acordo com a denúncia, a fraude envolveria operações de abastecimento dentro da própria rede de postos do Grupo Monte Carlo, que é proprietário de uma transportadora e de cerca de 70 postos de combustíveis em oito estados.
Como funcionaria a fraude?
Segundo a ValeCard, a auditoria realizada pela empresa analisou mais de 14 mil transações ocorridas entre 27 de abril de 2015 e 21 de outubro de 2016. Desse total, 4,6 mil operações foram realizadas na Rede Monte Carlo, representando cerca de um terço do volume total e movimentando mais de R$ 4,2 milhões.
A gestora de cartões aponta que foram identificadas cerca de R$ 3 milhões em operações de antecipação financeira. A acusação sustenta que o grupo teria usado abastecimentos simulados para transformar créditos em recebíveis financeiros antes de a transportadora entrar em recuperação judicial, em 2016.
A auditoria também levantou inconsistências logísticas. Um exemplo citado é o de um caminhão que teria abastecido em São José do Rio Preto (SP) às 12h04 e, menos de seis horas depois, registrado um novo abastecimento em Nova Mutum (MT), cidade situada a mais de 1,2 mil quilômetros de distância — trajeto que levaria cerca de 20 horas.
O que diz o Grupo Monte Carlo?
O Grupo Monte Carlo nega as acusações e afirma que todas as alegações de fraude e simulação de operações são infundadas. Em comunicado, a empresa destacou que a tese de conluio entre a transportadora e a rede de postos já foi debatida e afastada pelo Poder Judiciário em decisões transitadas em julgado.
A empresa informou ainda que não foi notificada oficialmente sobre a existência deste procedimento investigativo. Segundo o grupo, a coincidência na razão social das empresas não caracteriza fraude ou grupo econômico, argumento que já teria sido reconhecido pela Justiça em outras oportunidades.
A Monte Carlo afirmou também que a ValeCard já foi condenada em demandas anteriores e que há processos em fase de execução por descumprimento de obrigações de repasse de valores. O caso agora segue para o Núcleo do 3º e 7º Distritos Policiais de São José do Rio Preto (SP).
