Mulher acusada de desviar R$ 17 milhões afirma que foi coagida por clínica espiritual
Investigada por furto qualificado em empresa afirma ter sofrido manipulação psicológica e ameaças de uma clínica espiritual.
Por Redação Diário Local
Uma mulher de São Paulo investigada pelo desvio de mais de R$ 17 milhões de uma empresa onde trabalhava afirma que os valores foram retirados sob coação de uma clínica espiritual. A investigada alega que foi vítima de manipulação psicológica e ameaças que a levaram a desviar os recursos para custear rituais religiosos em uma clínica.
O caso, que apura crimes de furto qualificado, mediante abuso de confiança e fraude continuada, aponta que pelo menos R$ 9,4 milhões desse montante teriam sido transferidos para contas relacionadas à Clínica Céu Azul e aos seus responsáveis, Mayara Aristides e Estevo Yanko Gaichi. A mulher reconhece o valor transferido para o estabelecimento.
A denúncia foi recebida pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), que chegou a promover o arquivamento da investigação. No entanto, a mulher contestou a decisão, e o caso passou a ser analisado pela instância revisional do Ministério Público.
Como ocorreu a suposta coação?
Segundo o relato da mulher, o contato com a clínica começou em março de 2021, durante o período de isolamento social pela pandemia. Ela afirma que, após consultas iniciais de tarô, passou a ser orientada por um mentor espiritual, identificado como Roberto, a realizar pagamentos constantes para "quebrar feitiçariasam".
A investigada descreve um cenário de controle sobre sua rotina, incluindo ameaças de que familiares e animais de estimação sofreriam consequências negativas caso os pagamentos não fossem efetuados. Ela relata ainda ter sido obrigada a escrever declarações de próprio punho, e fotografá-las, afirmando que os pagamentos eram feitos de forma voluntária.
De acordo com a mulher, quando as economias pessoais se esgotaram, ela teria sido coagida pelos envolvidos a desviar recursos da empresa em que atuava. Após a descoberta dos desvios e sua demissão por justa causa, ela afirma que continuou a contrair empréstimos para enviar dinheiro à clínica.
A defesa da mulher sustenta que ela foi alvo de um "sequestro emocional" e de ameaças que causaram grave abalo psicológico. Ela afirma acreditar que as investigações criminais são uma tentativa de silenciá-la para que não denuncie a clínica.
O que diz a defesa da clínica?
A defesa da Clínica Céu Azul negou as acusações de estelionato e qualquer tipo de irregularidade. Em nota, os advogados sustentaram que os proprietários atuam com honestidade e clareza, ressaltando que o resultado dos trabalhos espirituais depende do comportamento de quem os contrata.
O estabelecimento, que já utilizou as denominações Equilíbrio e Luz Espiritual e Espaço Núcleo Espiritual, afirmou que as orientações sobre o funcionamento dos serviços são passadas logo na primeira consulta. A defesa nega a prática de manipulação ou qualquer crime contra a cliente.
