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Justiça

Erika Hilton aciona Ministério Público de São Paulo por fala sobre suposta propina em campanha

Representação contra Tarcísio de Freitas e Gilberto Kassab ocorre após ex-banqueiro alegar que doações de campanha foram propina

Por Redação Diário Local

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP) e a candidata a deputada estadual Sofia Favero (Psol-SP) acionaram o Ministério Público de São Paulo (MPSP) contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). A representação ocorre após declarações de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, em uma proposta de delação premiada, que alegou a existência de uma negociação de propina envolvendo doações de campanha.

De acordo com o relato de Vorcaro, repasses de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio de Freitas e R$ 3 milhões destinados ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) estariam vinculados a uma negociação irregular. O ex-banqueiro afirmou que a operação teria sido intermediada pelo presidente do PSD, Gilberto Kassab. Os valores teriam sido transferidos por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e investigado na operação Compliance Zero.

A representação enviada ao MPSP também questiona a atuação da PKL One Participações, empresa ligada ao Banco Master e responsável pelo Credcesta. As autoras apontam que a companhia seguiu operando no sistema estadual de crédito consignado por mais de três anos durante a atual gestão, passando por dois processos de recadastramento. O credenciamento foi suspenso apenas em fevereiro de 2026 (19), após a identificação de irregularidades envolvendo o grupo Master.

Na ação, Erika Hilton e Sofia Favero pedem que o Ministério Público rastreie a origem dos R$ 2 milhões transferidos por Zettel para a campanha do governador. O pedido inclui ainda a investigação da versão de Vorcaro sobre a suposta participação de Kassab. As parlamentares citam a possibilidade de crimes como corrupção passiva, lavagem de dinheiro e violações ao sistema financeiro nacional.

Defesa de Tarcísio de Freitas e Governo de SP negam irregularidades

Em comunicado, a defesa de Tarcísio de Freitas afirmou que a campanha de 2022 seguiu estritamente a legislação eleitoral e teve as contas aprovadas pela Justiça Eleitoral. O texto ressalta que o governador não possui qualquer vínculo com o doador citado e não tinha conhecimento de eventuais condutas alheias ao processo eleitoral. Sobre o Credcesta, a defesa esclareceu que o credenciamento ocorreu em maio de 2022, ainda na gestão anterior ao atual governador.

O Governo de São Paulo também emitiu nota repudiando qualquer insinuação de favorecimento envolvendo o credenciamento da PKL One Participações. A administração estadual informou que a suspensão das operações da empresa ocorreu no exato momento em que ela perdeu as condições para operar, após decisão do Banco Central pela sua liquidação extrajudicial. O governo reforçou que a participação no sistema de consignados não envolve repasse de recursos públicos.

Gilberto Kassab nega participação em doações

Gilberto Kassab refutou veementemente o relato de Vorcaro, afirmando que nunca tratou de doações com os envolvidos e que não possui qualquer relação pessoal com o ex-banqueiro. O ex-secretário de Governo declarou que desconhece a origem das alegações e que elas não possuem sustentação factual. A defesa de Augusto Lima, outro nome citado no caso, classificou as declarações como "absurdas" e optou por não comentar.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.