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Clima

Ondas de calor causaram 50 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2020, aponta pesquisa

Pesquisadora alerta que ondas de calor são desastre negligenciado e podem ser agravadas pelo fenômeno El Niño.

Por Redação Diário Local

Ondas de calor no Brasil são um desastre negligenciado e podem se tornar mais intensas e frequentes com a chegada de um novo fenômeno El Niño. O alerta foi feito pela professora Renata Libonati, do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), durante painel realizado nesta terça-feira (11).

Com base em dados do Sistema Único de Saúde (SUS) de 14 regiões metropolitanas do país, a pesquisadora identificou 50 mil mortes motivadas por ondas de calor no período entre 2000 e 2020. Segundo Libonati, o número de óbitos causados pelo calor é 20 vezes maior do que o registrado por deslizamentos de terra no mesmo intervalo de tempo.

A especialista, que também integra o Comitê de Especialistas em Monitoramento Climático da Organização Meteorológica Mundial (OMM), afirmou que o problema não recebe a devida importância por não apresentar impactos imediatos de morte como outras tragédias.

Quais os impactos do El Niño no clima?

O El Niño altera a circulação dos ventos e o clima global, devendo fazer com que 2026 registre temperaturas excepcionalmente altas. O fenômeno pode favorecer o acoplamento entre ondas de calor, secas e incêndios, aumentando as condições para a propagação do fogo.

Nos últimos 40 anos, as condições de perigo elevado para incêndios aumentaram cerca de 18% durante anos de El Niño nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste. O cenário é agravado pelo contexto de mudanças climáticas.

Como o fenômeno afeta as diferentes regiões do Brasil?

Os efeitos do El Niño não são uniformes no território nacional. No Sul, o fenômeno costuma estar associado ao aumento das chuvas e ao risco de enchentes. Já nas regiões Norte e Nordeste, a tendência é de redução das precipitações e aumento do risco de seca.

No Centro-Oeste, a expectativa é de mais ondas de calor e possível atraso no início da estação chuvosa. No Sudeste, a previsão indica temperaturas elevadas e maior irregularidade nas chuvas. O fenômeno pode impactar setores como produção de alimentos, transporte, fornecimento de energia e a economia.

Adaptação e vulnerabilidade social

O Brasil apresenta um aquecimento médio próximo de 2 °C, valor acima da média global. Especialistas argumentam que o país precisa acelerar a adaptação climática para lidar com a maior frequência de eventos extremos.

Os processos de adaptação nas cidades devem considerar as desigualdades sociais, uma vez que os efeitos climáticos atingem de forma desigual a população. Grupos vulneráveis, como moradores de comunidades com condições precárias de moradia, são os mais impactados pelo calor extremo.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.