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Segurança

Operação contra golpe de criptomoedas é deflagrada após aposentada perder R$ 37 milhões

Investigação da Polícia Civil do RS aponta que esquema de 'pig butchering' movimentou bilhões e tem alvos em São Paulo e no Sul.

Por Redação Diário Local

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, nesta quinta-feira (13), a Operação Criptoabate para desarticular um grupo criminoso especializado no golpe conhecido como 'pig butchering' (abate de porcos). A investigação, que ocorre em São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, teve início após uma aposentada relatar a perda de R$ 37 milhões de sua herança para uma plataforma financeira falsa.

O esquema funcionava através da conquista da confiança da vítima, que era estimulada a realizar aportes financeiros cada vez maiores. Segundo a apuração, a aposentada realizou transferências entre agosto de 2024 e janeiro de 2025, com valores que partiam de R$ 100 mil e chegavam a R$ 3 milhões em um único dia.

A fraude foi percebida pela vítima ao tentar resgatar o dinheiro e encontrar dificuldades para concluir as transações, após uma queda repentina no valor das operações. O caso levou os investigadores a identificarem centenas de outras possíveis vítimas em diferentes estados brasileiros, com estimativas de que o grupo possa ter atingido mais de 140 pessoas.

De acordo com o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC), o método tem origem no sudeste asiático, em países como Laos, Camboja e Mianmar, e passou a ser introduzido no Brasil. A investigação aponta que o lucro obtido pelo grupo pode ser bilionário, e as transações realizadas pelos investigados durante o período de apuração totalizaram R$ 30 bilhões.

Como funcionava o esquema de fraude?

O grupo recebia transferências em reais e realizava a conversão para criptomoedas dentro de um sistema próprio. A partir daí, os clientes recebiam novas orientações sobre onde investir, sob a falsa premissa de lucratividade.

Para sustentar o estelionato, os criminosos utilizavam comunicações intensas via WhatsApp, enviando mensagens, notícias e falsos comprovantes de lucros para convencer os clientes a investir mais. O esquema era reforçado por canais de atendimento que simulavam setores financeiros e comerciais.

Quem são os alvos da operação?

A operação em curso determinou a prisão preventiva de oito pessoas e expediu dez ordens de busca e apreensão. Até o momento, dois suspeitos foram presos e outros seis são considerados foragidos.

Entre os principais alvos estão três proprietários de instituições financeiras que operam a conversão de real para criptomoeda e dois estrangeiros, sendo um deles sócio das instituições. A Polícia Civil também investiga uma gerente de um banco tradicional por facilitar a abertura de contas utilizadas pela quadrilha.

Em São Paulo, que concentra os principais alvos que gerem a falsa plataforma, os investigadores descobriram que uma única empresa no centro financeiro da capital paulista movimentou R$ 500 milhões em 2025. Segundo o delegado Eibert Moreira, diretor do DERCC, o objetivo é responsabilizar desde os executores do estelionato até os donos de instituições que auxiliam a ocultação dos valores.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.