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História

Orador de turma de Medicina critica falta de recursos em hospital durante colação de grau em 1978

Discurso de Iano Salomão de Campos durante colação de grau na UFJF destacou dificuldades de funcionamento da unidade de saúde.

Por Redação Diário Local

O orador da turma de Medicina da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Iano Salomão de Campos, realizou críticas severas à falta de verbas e às precárias condições de funcionamento do hospital-escola da instituição durante a cerimônia de colação de grau em 14 de julho de 1978 (uma sexta-feira).

No discurso proferido na época, no Theatro Central, o estudante apontou que a unidade de saúde era negligenciada pelas autoridades e operava com recursos insuficientes. O relato indicou que o hospital precisava improvisar salas de atendimento e enfrentar o racionamento de exames de raios X para manter as atividades.

Campos também detalhou as dificuldades enfrentadas pelo corpo docente de medicina. Segundo a fala do orador, os professores precisavam acumular funções de docentes curriculares, orientadores de internato, médicos de ambulatório e de enfermaria para suprir as carências estruturais da unidade.

O contexto da fala ocorreu em um período de repressão política, durante a vigência do AI-5 e antes da Lei de Anistia de 1979. Na ocasião, o orador era membro do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e exercia representação discente em órgãos como o Conselho Universitário e a Comissão Permanente de Tempo Integral e Dedicação Exclusiva (COPERTIDE).

Impactos dos convênios de previdência

De acordo com o discurso, para tentar minimizar a falta de recursos, o hospital-escola era submetido a convênios com órgãos previdenciários. O orador afirmou que essa prática resultava em prejuízo ao ensino, pois a necessidade de satisfazer as exigências da Previdência aumentava a rotatividade dos leitos.

Para o acadêmico, essa dependência de convênios era uma solução de emergência diante da negação de verbas governamentais. Ele classificou a situação como um "jogo sórdido", onde o hospital era obrigado a adotar medidas paliativas para evitar a paralisação dos serviços.

Presença de Dom Hélder Câmara e detenção de Edival Cajá

A cerimônia de colação de grau contou com a presença de Dom Hélder Câmara, arcebispo emérito de Olinda e Recife, convidado para ser o paraninfo da turma de 1978. O convite para a participação do religioso foi formalizado por Iano Salomão de Campos após o acadêmico desembarcar no aeroporto do Recife para buscar o encontro.

O evento também foi marcado pela trajetória de Edival Cajá, que pretendia mediar o encontro entre o estudante e o arcebispo. No entanto, Cajá foi detido por agentes da repressão sob acusação de subversão antes de chegar ao local, permanecendo preso até 1979, período em que enfrentou tortura.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.