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Mais de 100 mil eleitores de Juiz de Fora deixaram de escolher candidato na eleição de 2022

Soma de abstenções, votos brancos e nulos representou 24,3% do eleitorado da cidade nas últimas eleições presidenciais.

Por Redação Diário Local

Nas eleições de 2022, 101.808 eleitores de Juiz de Fora deixaram de escolher um candidato à Presidência da República. O número é a soma de abstenções, votos brancos e votos nulos, totalizando 24,3% do eleitorado apto a votar na cidade naquele ano, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O contingente de eleitores que não efetivaram um voto válido em um candidato é expressivo e tem apresentado estabilidade histórica no município. Segundo os registros do TSE, o percentual de eleitores que deixaram de escolher o presidente em Juiz de Fora manteve-se próximo de um em cada quatro nas últimas três eleições presidenciais: em 2014, o índice foi de 28,3%; em 2018, também 28,3%; e em 2022, 24,3%.

O fenômeno de desengajamento é observado com maior intensidade nas disputas para o cargo de governador. No primeiro turno de 2022, a soma de abstenções, brancos e nulos em Juiz de Fora foi de 137.560 eleitores (32,9%), enquanto em 2018 o número chegou a 157.401 (39,5%) e, em 2014, a 147.060 (37,5%).

Por que o desengajamento ocorre?

Especialistas apontam que o volume de votos nulos, brancos e abstenções pode ser um reflexo de diversos fatores, como a descrença na política e um sentimento de antipolítica. Além disso, questões como polarização e a falta de identificação com as propostas apresentadas podem afastar o eleitor das urnas.

A dificuldade de identificação com certos cargos também é um fator relevante. O desinteresse tende a ser maior para cargos como o de senador, cuja renovação ocorre a cada oito anos, o que pode gerar uma percepção de maior distância entre o cargo e o cotidiano do cidadão, em comparação com cargos renovados a cada quatro anos.

Outros elementos citados incluem a perda de perspectiva de mudança e a desmobilização causada por discursos de ódio ou violência política, que podem afastar o eleitor do processo democrático.

Qual o impacto para as campanhas?

O comportamento de não votar ou votar de forma não válida tem consequências práticas para o cenário político. Grupos que apresentam menores índices de participação, como é o caso dos eleitores jovens, tendem a receber menos atenção e propostas específicas durante as campanhas eleitorais.

Essa falta de foco das campanhas pode gerar um ciclo de desmobilização, onde a ausência de engajamento resulta em menos representatividade e atenção política para esses setores no futuro.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.