Mensagens indicam que Daniel Vorcaro pediu certificados de vacinação adulterados
Diálogos entre ex-banqueiro e Luiz Phillipi Moraes Mourão mostram pedido de documentos retroativos de febre amarela.
Por Redação Diário Local
Mensagens trocadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, indicam que Vorcaro solicitou certificados internacionais de vacinação contra a febre amarela com datas retroativas. Os diálogos apontam que os documentos foram providenciados com informações de aplicação de doses em datas passadas.
As conversas ocorreram na manhã de sexta-feira (12) de dezembro de 2024. Segundo os registros, Vorcaro enviou dados pessoais da atriz Monique Alfradique para que Mourão providenciasse os certificados. Mourão era apontado pela Polícia Federal como chefe de uma milícia particular do ex-banqueiro.
Nas mensagens, o interlocutor informou a Vorcaro que a aplicação das doses fora registrada com a data de 9 de abril de 2024. O responsável pelo pedido também afirmou que, caso o sistema oficial de geração de documentos não processasse o arquivo a tempo, ele mesmo havia produzido o PDF.
Questionada sobre o caso, a assessoria da atriz Monique Alfradique afirmou que as duas doses da vacina contra a febre amarela foram ministradas de forma absolutamente regular. De acordo com a defesa da artista, as vacinas foram aplicadas em postos de saúde devidamente credenciados, sendo a última delas realizada em 22 de abril de 2024, na Fiocruz.
O Ministério da Saúde declarou que os sistemas de registro do Sistema Único de Saúde (SUS) possuem mecanismos de segurança, controle de acesso e rastreabilidade para garantir a integridade das informações. O órgão afirmou que não há qualquer registro de comprometimento desses mecanismos de proteção de dados.
Luiz Phillipi Mourão foi preso em quarta-feira (4) deste ano, por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a terceira fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura fraudes envolvendo o Banco Master e a atuação de um grupo que obatia informações sigilosas.
Mourão, que era apontado como líder de um grupo que ameaçava adversários de Vorcaro, cometeu suicídio na carceragem da Polícia Federal de Minas Gerais após ser detido. O ex-banqueiro Daniel Vorcaro já havia sido preso em novembro de 2025 no âmbito do mesmo escândalo.
Esta não é a primeira vez que o nome da atriz aparece vinculado ao ex-banqueiro. Em junho, investigações apontaram que Vorcaro teria enviado ordens para perseguir uma funcionária da artista. Um contato da atriz também foi identificado em documentos enviados à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do INSS.
