Polícia investiga esquema de pirâmide em igreja com prejuízo de R$ 1 milhão em Niterói
Operação da Polícia Civil investiga pastor suspeito de usar falso banco digital para aplicar golpes que prometiam 10% de lucro mensal.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil investiga uma organização criminosa especializada em golpes financeiros e lavagem de dinheiro em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. O esquema, que funcionava através de uma pirâmide financeira vinculada a uma igreja evangélica, teria causado um prejuízo superior a R$ 1 milhão.
Segundo as investigações, o grupo utilizava um falso banco digital para atrair investidores com a promessa de rendimentos mensais de 10% sobre o valor aplicado. Os agentes da Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD) realizaram, nesta terça-feira (18), uma operação para cumprir 38 mandados de busca e apreensão em 21 endereços.
Os mandados foram cumpridos em cidades como Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Duque de Caxias e na capital paulista, São Paulo. Durante as diligências, foram apreendidos documentos e aparelhos eletrônicos.
Como funcionava o esquema
De acordo com a polícia, o pastor Roberto Vieira Soares, da Igreja Apostólica Vida e Adoração — que atualmente está instalada em Niterói —, utilizava sua influência para atrair fiéis e outras pessoas para o negócio. As vítimas eram convencidas a investir em uma plataforma operada por uma empresa conhecida como “Banco do Pastor”.
Os investidores assinavam contratos que garantiam o pagamento de 10% de lucro sobre o investimento em até 30 dias após a aplicação. No entanto, as apurações indicam que, após a captação dos recursos, os rendimentos prometidos deixavam de ser creditados aos clientes.
Para justificar o não pagamento, alguns integrantes do grupo alegavam que as contas estavam bloqueadas ou que a empresa enfrentava problemas de fluxo de caixa. O delegado Vinícius Miranda, da DCOC-LD, afirmou que o objetivo da operação foi desmontar a estrutura financeira e tentar apreender bens para compensar as vítimas.
Investigação e bloqueio de valores
Até o momento, a polícia identificou sete registros de ocorrência de vítimas relacionadas à quadrilha. Em um dos casos, uma pessoa investiu R$ 150 mil sob a promessa de devolução total em 12 meses. Em outro relato, um investidor aplicou R$ 120 mil e afirmou que o pastor oferecia taxas diferenciadas para quem não era membro da igreja.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 1,1 milhão em contas bancárias de suspeitos de integrar a organização. As investigações apontam que o dinheiro captado era direcionado para contas pessoais do pastor e para empresas ligadas a ele, nos setores de construção civil, consultoria contábil, laboratório e pagamentos.
A polícia também investiga o uso de "laranjas" para ocultar os verdadeiros controladores do negócio, já que alguns sócios registrados não teriam capacidade financeira compatível com o capital social declarado de R$ 5 milhões. Os suspeitos são investigados pelos crimes de estelionato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
