Diário Local
Segurança

Polícia Civil desarticula grupo que aplicava golpe em idosos para contratar empréstimos

Organização com base no Rio de Janeiro usava dados e biometria para fraudar benefícios no Espírito Santo, Minas Gerais e Alagoas

Por Redação Diário Local

Uma organização criminosa sediada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, é acusada de aplicar o "golpe do Vale Gás" contra idosos no Espírito Santo, Minas Gerais e Alagoas. Segundo a Polícia Civil, o grupo utilizava dados pessoais e biometria, como reconhecimento facial, para contratar empréstimos e antecipar o 13º salário sem o consentimento das vítimas.

A investigação aponta que a quadrilha, chamada de "Tropa Milhões CPX", teria movimentado cerca de R$ 2 milhões com as fraudes desde agosto de 2024. O esquema era estruturado com divisão de tarefas e uma nomenclatura empresarial, em que as vítimas eram tratadas como "clientes" e os crimes eram chamados de "contratos".

Dois integrantes do grupo foram presos: Joyce Máximo da Silva, apontada como executora de campo, e Rafael de Jesus Guarany de Oliveira, que atuava como motorista e vigilante. Outros oito suspeitos, com idades entre 20 e 35 anos, foram indiciados por organização criminosa e sete estelionatos contra quatro vítimas.

O delegado adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, explicou que o núcleo de comando do grupo funcionava em um local que eles denominavam como "escritório". O objetivo principal era identificar idosos vulneráveis, especialmente aposentados que moravam sozinhos ou enfrentavam dificuldades financeiras.

O golpe começava com um contato por telefone ou WhatsApp, no qual os criminosos se passavam por assistentes sociais para levantar informações sobre renda e margem de crédito. Com dados como CPF, endereço e telefones de familiares, o grupo monitorava o horário em que a vítima estaria desacompanhada.

Para ganhar confiança, uma integrante do grupo ia até a residência da pessoa levando uma cesta básica verdadeira e um cartão falso de "Vale Gás". Durante a visita, os criminosos coletavam documentos, fotos e a biometria facial da vítima.

Com os dados obtidos, a organização abria contas digitais, realizava a portabilidade de benefícios e contratava empréstimos consignados de até R$ 30 mil. O dinheiro era direcionado para contas ligadas ao grupo, incluindo contas de pessoas que eram usadas como "laranjas" sem saber que estavam envolvidas.

Prejuízos no Espírito Santo

Somente no Espírito Santo, a Polícia Civil registrou 58 boletins de ocorrência relacionados ao golpe em 2025. Os casos atingiram diferentes regiões do estado, com maior incidência na capital, mas com prejuízos expressivos no interior.

Em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul, uma idosa de 71 anos perdeu R$ 94.421,88. Em Colatina, no Noroeste, uma idosa de 64 anos teve um prejuízo de R$ 78.986,71. Já em Linhares, no Norte, um idoso de 68 anos perdeu R$ 41.613,92.

Em Vila Velha, uma idosa de 74 anos foi vítima de um estelionato de R$ 42 mil. Em Guarapari, uma idosa de 64 anos, cega e com deficiência, também foi abordada em sua casa com a promessa de entrega de cesta básica.

Somando apenas os quatro valores detalhados pela polícia, o prejuízo chega a R$ 257.022,51. No entanto, a investigação total estima que as fraudes atribuídas ao grupo ultrapassem a marca de R$ 2 milhões.

O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, alertou para os perigos do uso de dados pessoais vazados. Ele recomendou que a população mantenha a vigilância como forma de prevenção contra fraudes digitais.

O chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), Gabriel Monteiro, afirmou que a divulgação do caso é uma medida de utilidade pública. Segundo o delegado, a medida ajuda a prevenir novos golpes que podem ocorrer em nível nacional.

A Polícia Civil reforça que a prevenção é a principal ferramenta para evitar que dados biométricos e documentos sejam utilizados para a abertura de contas e contratação de dívidas por terceiros.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.