Polícia Civil aponta que compra da fintech Naskar serviu para lavar dinheiro de desvio da Zema Financeira
Inquérito da Polícia Civil de Minas Gerais indica que Douglas Azara usou a fintech e empresas de fachada para ocultar R$ 75 milhões desviados.
Por Redação Diário Local
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) aponta que a compra da fintech Naskar, no valor de R$ 1,2 bilhão, foi utilizada como estratégia para lavar o dinheiro desviado da Zema Financeira. O inquérito indica que a transação visava mascarar a origem ilícita de R$ 75 milhões pertencentes à instituição financeira.
A investigação conduzida pelo Departamento de Investigação de Crimes Contra o Patrimônio (Depatri) aponta que a operação de compra foi uma manobra para blindagem e ocultação patrimonial do empresário Douglas Silva de Oliveira Azara, de 26 anos. Segundo a Polícia Civil, o objetivo era misturar os recursos desviados com as operações legítimas da Naskar.
A fintech foi comprada em maio deste ano e, posteriormente, transferida para o nome da avó de Douglas, Célia de Fátima Ferreira, de 77 anos. Para os investigadores, a transferência foi uma prova da estratégia de ocultação de bens, servindo para impedir que bloqueios judiciais atingissem os ativos da empresa. A PCMG destaca que a avó possui quadro de Doença de Alzheimer, o que permitiria ao empresário manter o controle de fato através de procurações, sem a responsabilidade jurídica direta.
Como funcionava o esquema de empresas de fachada?
A investigação identificou a criação de uma rede de empresas em curto espaço de tempo, com capitais sociais declarados que somavam mais de R$ 2,4 bilhões. Muitas dessas empresas não possuíam sede física ou operação comercial compatível com os endereços registrados.
Parte desse grupo era composto por propriedades rurais no Pará, como as fazendas Nova Visagem, Jerusalém, Jabuti e Tel-Aviv. Um relatório de inteligência produzido com apoio da Polícia Civil do Pará indicou que essas propriedades não possuem existência física ou produção de grãos e gado, funcionando apenas como fachadas para ocultação de patrimônio.
Qual foi o método do desvio financeiro?
O desvio de R$ 75 milhões da Zema Financeira teria sido viabilizado pelo uso indevido de uma credencial de uma empresa de tecnologia contratada para desenvolver o aplicativo da instituição. De acordo com a Polícia Civil, a credencial foi obtida de forma ilegal por um prestador de serviço.
Ao burlar o sistema, o grupo teria acessado chaves de pagamento para quitar boletos falsos e realizar transferências para contas de "laranjas" e empresas de fachada. A perícia indicou que a conexão IP utilizada para a invasão partiu do endereço residencial de Douglas Azara, em Anápolis (GO).
Douglas Azara afirmou em defesa que não tem ligação com a fraude e que sua plataforma bancária foi utilizada por terceiros. A Zema Consultoria declarou que acompanha a apuração do crime cibernético e aguarda a conclusão das investigações pelas autoridades.
