Governo foca em investigar fundos de investimento que lavam dinheiro do crime organizado
Ministro da Fazenda diz que o governo concentrará esforços para identificar fundos e gestores que atuam em prol do crime organizado.
Por Redação Diário Local
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou, nesta quinta-feira (24), que o governo federal está concentrando esforços para investigar fundos de investimento, bancos e gestores que atuam em benefício do crime organizado. A declaração ocorre em meio a novas apurações sobre esquemas de lavagem de dinheiro no setor financeiro.
O anúncio foi feito após a deflagração da terceira fase da Operação Carbono Oculto, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). A ação investiga um esquema que utiliza o mercado financeiro para ocultar recursos provenientes de atividades ilícitas.
De acordo com as investigações, o esquema envolveu a compra de uma distribuidora de combustíveis para viabilizar o movimento de capitais. O Ministério Público apura como o mercado financeiro tem sido usado para dar aparência de legalidade a esses valores.
A operação identificou o uso de empresas de fachada, fintechs e fundos de investimento para ocultar o controle de uma usina sucroalcooleira. Essas estruturas teriam sido fundamentais para o gerenciamento do esquema criminoso.
O ministro Dario Durigan destacou que instituições financeiras e gestores estão sendo monitorados para evitar a prática de crimes organizados. "Essa lavanderia daqui por diante vai ser mais prontamente identificada", declarou o ministro durante o anúncio.
Segundo o governo, o foco é identificar com maior rapidez as engrenagens que permitem a circulação de dinheiro do crime por meio de investimentos. A medida busca aumentar o controle sobre a atuação de gestores e bancos no país.
Entre os alvos das buscas realizadas nesta quinta-feira (24) está o empresário Antonio Carlos Freixo Junior. Ele é proprietário da Entre Investimentos e é apontado como um dos investigados no caso.
As investigações também alcançam o setor bancário e ex-executivos de instituições financeiras. O ex-executivo do Banco Genial, Humberto Arthur Tupinambá Neto, é um dos alvos das medidas de busca e apreensão.
A família de Humberto Arthur também está sob investigação. Seus irmãos, André Tupinambá e Bruno Tupinambá, também figuram como alvos da terceira fase da operação.
O esquema investigado pelo MPSP foca na intersecção entre o mercado de capitais e o setor de combustíveis. A tentativa de ocultar o controle de uma usina por meio de fundos é um ponto central da apuração.
O uso de fintechs para movimentar recursos é outro pilar que está sendo detalhado pelas autoridades. As instituições de tecnologia financeira são monitoradas para verificar a origem dos aportes e movimentações.
A operação busca desarticular a estrutura que permite que empresas de fachada tenham controle sobre ativos estratégicos, como usinas e distribuidoras. O objetivo é impedir que o crime organizado utilize o setor produtivo para lavar dinheiro.
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) segue com as diligências para identificar todos os participantes do esquema. A fase atual da Operação Carbono Oculto busca conectar os gestores de investimentos aos fluxos de dinheiro ilícito.
O governo federal, por meio da Fazenda, reforça que o monitoramento de fundos de investimento será intensificado para prevenir novas ocorrências da mesma natureza.
