Policial civil é preso por suspeita de esquema de propina para liberar cargas de eletrônicos
Investigação do Gaeco e da Corregedoria aponta que investigado era secretário adjunto em São Sebastião e atuava em esquema de liberação de cargas.
Por Redação Diário Local
O policial civil Marcos Vinicius de Souza Melo foi preso na última sexta-feira (28) sob suspeita de integrar um esquema de pagamento de propina para a liberação de cargas de eletrônicos. O investigado ocupava o cargo de secretário adjunto de Segurança Urbana em São Sebastião, no litoral paulista, no momento em que a Operação Merx foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Corregedoria da Polícia Civil.
A exoneração do cargo na prefeitura de São Sebastião foi solicitada pelo policial no último dia 25 (25), três dias antes da ação policial. Segundo a prefeitura, o pedido de saída ocorreu por motivos particulares. O investigado havia recebido autorização do governo paulista para se afastar das funções de investigador, com prejuízo dos vencimentos, para exercer a função de secretário adjunto.
As investigações conduzidas pelo Gaeco apontam que os crimes suspeitos ocorriam antes da atuação do policial na prefeitura. De acordo com o Ministério Público de São Paulo (MPSP), enquanto atuava no 2º Distrito Policial (DP) de Cotia, na Grande São Paulo, Marcos Vinicius teria participado de uma ocorrência na qual foram formalmente apreendidos 250 celulares, apesar de conversas indicarem que o caminhão carregava mais de 4 mil aparelhos. O valor para a liberação da carga teria alcançado R$ 700 mil.
O investigado também foi removido para o 1º DP de Barueri, onde, segundo os promotores, outra carga seria alvo do mesmo grupo criminoso. O MPSP aponta que a sequência de eventos sugere a continuidade da atuação do grupo em diferentes regiões. Marcos já era alvo de outra investigação da Corregedoria sobre um suposto pedido de R$ 900 mil para a devolução de celulares.
Em diligência realizada em uma delegacia, foram encontrados 49 aparelhos lacrados dentro de um saco de lixo e outros seis sobre a mesa do investigado. Na ocasião, também foram localizados R$ 19.577 e armas de terceiros dentro do cofre da sala de um então investigador-chefe.
Patrimônio e empresas
O patrimônio do policial também é objeto de análise do Gaeco. Em março deste ano, antes de assumir o cargo na prefeitura, Marcos recebia R$ 8.523,77 brutos como investigador. Em seu nome, constam um Toyota Corolla e duas embarcações, além de um veículo Volkswagen Amarok registrado no nome da ex-esposa, mas vinculado ao seu endereço.
O policial figura no quadro societário de cinco empresas que atuam nos setores de transporte de cargas, administração de imóveis, segurança eletrônica e apoio administrativo. Segundo os promotores, o investigado realizou alterações contratuais nessas empresas logo após os fatos apurados, o que indica risco de ocultação e dissipação de patrimônio.
Além de Marcos Vinicius, a Operação Merx resultou na prisão dos policiais Bruno Moreno dos Santos e José Adriano Pereira da Silva Nishi, do advogado Sidiclei da Costa Almeida e do empresário Jonathan Renan Vieira. O policial Vagner Ramalho e o empresário Thiago Marcel Magnabosco, apontado como líder do grupo que transportava os eletrônicos, continuam foragidos.
