Dom Orani defende união entre Igreja e sociedade para preservar patrimônio histórico católico
Cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro destacou a necessidade de atuação conjunta entre Igreja, poder público e iniciativa privada.
Por Redação Diário Local
O cardeal-arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, defendeu a necessidade de uma atuação integrada entre a Igreja, o poder público, as universidades e a iniciativa privada para garantir a preservação do patrimônio histórico religioso. A proposta foi o tema central do III Seminário de Patrimônio Histórico Cultural Católico, realizado na Igreja de Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro do Rio.
O evento reuniu especialistas, pesquisadores, autoridades e integrantes das forças de segurança para discutir a proteção de um acervo que vai além da restauração de edifícios. O debate focou na salvaguarda de imagens, esculturas, documentos, pinturas e objetos litúrgicos que compõem a identidade cultural do Brasil e, especialmente, da cidade do Rio de Janeiro.
Como será o financiamento da preservação?
Durante a abertura do encontro, Dom Orani João Tempesta destacou a criação do Fundo Patrimonial para o Patrimônio Cultural da Igreja Católica no Brasil. A iniciativa, aprovada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), tem o objetivo de captar recursos destinados especificamente à conservação e à restauração de bens históricos pertencentes à instituição.
A busca por recursos é um desafio constante para o Rio de Janeiro, que abriga importantes conjuntos de patrimônio sacro no país. Igrejas coloniais, conventos e museus religiosos da capital fluminense precisam conciliar a manutenção de acervos de alto valor artístico com questões de segurança e conservação permanente.
Recuperação de obras de arte sacra
Um dos temas mais relevantes do seminário foi o painel dedicado à recuperação de obras de arte sacra desaparecidas. O assunto tem ganhado destaque devido ao aumento de investigações que identificam peças históricas em leilões e coleções particulares, permitindo a restituição dos objetos aos seus templos de origem.
O debate contou com a participação do provedor da Irmandade de Nossa Senhora da Lapa dos Mercadores, Cláudio André de Castro, além de peritos da Polícia Federal e da Polícia Civil. O especialista Ivan Roberto Ferreira Pinto também integrou o painel para discutir métodos práticos de identificação de arte sacra roubada.
Foram apresentados casos em que o cruzamento de inventários antigos, fotografias históricas, marcas de prateiros e análises técnicas permitiu comprovar a origem de objetos desaparecidos há décadas. O seminário reforçou que a união entre pesquisa documental e investigação policial é fundamental para reverter perdas do acervo histórico.
O encontro também contou com a presença de especialistas como o museólogo Rafael Azevedo, Daisy Ketzer, da Comissão de Preservação do Patrimônio da Arquidiocese, e o Padre Silmar Fernandes. O evento concluiu que a preservação da memória urbana e religiosa do Rio de Janeiro depende da colaboração contínua entre pesquisadores, instituições religiosas e órgãos de proteção cultural.
