Ministério Público denuncia professor por injúria e discriminação contra cadeirante em Belo Horizonte
Ministério Público de Minas Gerais apresentou denúncia contra docente da UFMG após episódio de ofensas contra cadeirante em bairro da capital.
Por Redação Diário Local
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) denunciou à Justiça um professor universitário por injúria e discriminação contra um cadeirante em Belo Horizonte. O caso ocorreu na quinta-feira (12) de fevereiro, no bairro Santo Antônio, região Centro-Sul da capital, e a denúncia foi apresentada pouco mais de cinco meses após o episódio.
Segundo a promotoria, as investigações indicam que as ofensas causaram sofrimento emocional intenso à vítima, que possui uma condição neurológica degenerativa com repercussões motoras e na comunicação oral. De acordo com os autos, o cadeirante passou a apresentar comportamento retraído e resistência para frequentar o restaurante da família após o ocorrido.
O caso foi relatado pela proprietária do restaurante Cozinha Santo Antônio, Juliana Duarte. Segundo o depoimento, ela, o marido — que é cadeirante — e uma cuidadora presenciaram um veículo estacionado de maneira irregular sobre a faixa de pedestres, bloqueando a rampa de acessibilidade do estabelecimento.
Ao questionar o proprietário do veículo sobre a infração, o homem teria desferido a primeira ofensa direta ao cadeirante, dizendo: "Tchau, cadeirante! Espero que você ande muito por aí". O episódio aconteceu na Rua São Domingos do Prata, no referido bairro.
A agressão teria continuado por volta das 22h26 do mesmo dia. Conforme o relato de Juliana, o homem entrou no restaurante e teria feito novos comentários discriminatórios relacionados à condição física da vítima antes de ir embora.
Investigação e identificação
O homem foi identificado como Pedro Casagrande, que atua como docente na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A instituição de ensino abriu uma investigação interna para apurar a conduta do professor diante do ocorrido.
Na denúncia, o MPMG afirma que comportamentos ofensivos ou discriminatórios baseados na deficiência violam a dignidade, a igualdade e o direito fundamental à não discriminação. A promotoria ressaltou que as consequências do episódio ultrapassaram o momento das ofensas verbais.
Pedido de desculpas
Cerca de uma semana após o episódio, o professor publicou um pedido de desculpas em seu perfil pessoal na rede social Instagram. No texto, ele classificou sua conduta como "grave e inaceitável" e admitiu que o erro atingiu a dignidade da pessoa com deficiência e de seus familiares.
Na publicação, Casagrande afirmou estar disposto a enfrentar todas as consequências administrativas e legais decorrentes de sua postura. Ele registrou que o pedido de perdão é um reconhecimento público da responsabilidade exclusiva por seu erro.
