Rede estadual do Rio ocupa penúltima posição no Ideb e enfrenta carência de professores
Escolas da rede enfrentam falta de docentes e baixo desempenho em avaliações nacionais como o Saeb e o Enem.
Por Redação Diário Local
A rede estadual de ensino do Rio de Janeiro ocupa a penúltima posição no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), ficando à frente apenas do Distrito Federal. O baixo desempenho é acompanhado por dificuldades estruturais, como a falta de docentes em disciplinas fundamentais e o baixo índice de alunos em regime de ensino integral.
De acordo com o levantamento do Ideb, a nota do ensino médio na rede estadual fluminense foi de 3,7, a segunda mais baixa do país. Para comparação, o estado do Paraná registrou a primeira colocação com nota 5,1. No ranking de aprendizagem, o Rio divide a última posição com a Bahia.
Por que o desempenho da rede é baixo?
Especialistas em educação apontam que a indefinição de políticas públicas, a oferta reduzida de aulas de reforço e o baixo número de estudantes no modelo de ensino integral — que atinge apenas 11% dos matriculados na rede — contribuem para o resultado negativo.
Outro fator relevante é a rotatividade na gestão. Desde 2015, a Secretaria de Educação já teve oito secretários. Segundo Rita Jobim, diretora-executiva da ONG Parceiros da Educação-Rio, a continuidade de projetos pedagógicos é essencial para a melhoria dos índices.
A falta de profissionais também é um gargalo. Com cerca de 28 mil professores para atender mais de 605 mil alunos, a rede registra carências em matérias como Física, Matemática e Química. Alunos relatam, por exemplo, que em alguns casos não houve oferta de aulas de Química durante o último ano.
O impacto das novas regras de aprovação
Uma mudança implementada no fim do ano passado permite que alunos do 1º e do 2º ano do ensino médio sejam aprovados mesmo sem atingir a nota mínima em até seis disciplinas, desde que tenham direito a aulas de reforço no ano seguinte. Para quem está no último ano, é permitido ficar em dependência em até três matérias.
Carla Jucá, diretora-executiva do Movimento Educação Rio, classifica o mecanismo como uma "aprovação automática disfarçada". Para a especialista, o fato de o estado manter índices baixos mesmo com essas facilidades demonstra uma regressão na qualidade do ensino.
A doutora em Educação pela PUC-Rio, Andrea Ramal, alerta que a política atual pode gerar "analfabetos funcionais", com consequências diretas na capacidade de emprego qualificado e nas notas em exames como o Enem.
Desafios de aprendizagem e orçamento
No último Enem, a pontuação média das escolas estaduais foi de 487 pontos, enquanto a rede privada obteve média de 587. Gabriel Corrêa, diretor de Políticas Públicas do movimento Todos Pela Educação, defende que o Estado precisa de uma estratégia de rede, com diretrizes claras e materiais didáticos de qualidade.
O cenário é agravado por questões de gestão de recursos. Com um orçamento previsto de R$ 10,89 bilhões para este ano, a pasta enfrenta investigações sobre fraudes. Em maio, um ex-deputado foi preso sob suspeita de irregularidades na compra de materiais e contratação de serviços na Secretaria de Educação.
