Roubo de canetas emagrecedoras gera onda de violência e trauma em farmácias de São Paulo
Popularidade de medicamentos para perda de peso aumenta frequência de assaltos e afeta saúde mental de funcionários.
Por Redação Diário Local
A popularidade de medicamentos para perda de peso tem impulsionado uma onda de assaltos a farmácias no Brasil, provocando traumas e afetando a saúde mental de funcionários. O alvo preferencial dos criminosos são as canetas emagrecedoras, que, devido ao alto custo — com unidades de Mounjaro custando a partir de R$ 1,4 mil —, tornaram-se o principal objetivo das ações criminosas.
Em São Paulo, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) registrou 439 roubos a farmácias no primeiro semestre de 2026, uma redução de 16% em comparação ao mesmo período de 2025. Apesar do recuo nos números oficiais, trabalhadores e entidades da categoria relatam um aumento na periculosidade das abordagens, especialmente em unidades que operam 24 horas.
Impacto na saúde dos trabalhadores
O cenário de violência tem gerado consequências psicológicas graves para quem atua no varejo farmacêutico. Relatos de funcionários indicam o surgimento de sintomas de estresse pós-traumático, crises de ansiedade e depressão após presenciarem assaltos à mão armada.
A diretora-tesoureira do Conselho Regional de Farmácia em São Paulo (CRF-SP), Adryella Luz, afirma que a saúde mental dos profissionais tornou-se uma das principais preocupações da entidade. Segundo ela, o risco de ter uma arma apontada para a cabeça durante o atendimento ao público tornou o ambiente de trabalho muito mais traumático do que em períodos anteriores.
Alguns colaboradores têm buscado a Justiça para solicitar a rescisão indireta do contrato de trabalho. Esse mecanismo permite o fim do vínculo empregatício com o recebimento de benefícios como a multa do FGTS, sob a alegação de que o empregador não cumpre com o dever de garantir a segurança no ambiente laboral.
O perfil das ocorrências
A mudança no comportamento dos criminosos é confirmada por profissionais do setor. De acordo com relatos de atendentes e farmacêuticos, os assaltos agora são direcionados especificamente aos setores de medicamentos para emagrecer, muitas vezes ignorando o dinheiro disponível nos caixas das lojas.
Um dos episódios que ilustra a gravidade do problema ocorreu em fevereiro, em uma farmácia na Zona Norte de São Paulo. Durante um assalto na madrugada, uma farmacêutica de 38 anos foi morta após um disparo ocorrido durante uma reação. A Corregedoria da Polícia concluiu que o disparo, efetuado por um cliente, ocorreu em legítima defesa própria e de terceiros.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo informou que três suspeitos foram indiciados pela morte da profissional; dois deles foram presos e condenados, enquanto um terceiro permanece foragido.
