Chefe do Comando Vermelho acompanhou ao vivo sessão de tortura de mulheres em São Gonçalo
Investigação da Polícia Civil aponta que líder criminoso, mesmo preso, atuou como juiz de 'tribunal do tráfico' no Rio.
Por Redação Diário Local
Um chefe do Comando Vermelho acompanhou ao vivo a execução de punições de um "tribunal do tráfico" ocorrido em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio. Segundo investigações da Polícia Civil, Flávio Vieira Bento, conhecido como “Mumu do Tuiuti”, teria atuado como juiz da sessão de tortura contra duas mulheres, mesmo estando custodiado no sistema prisional.
O episódio ocorreu em maio, na comunidade do Risca Faca, no bairro Maria Paula. As vítimas foram levadas para uma região de mata fechada, conhecida como “Mineirão”, onde foram submetidas a agressões físicas com pauladas, socos e chutes, além de terem o cabelo raspado e serem obrigadas a realizar uma caminhada vexatória pela comunidade para servir de exemplo.
A investigação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) aponta que o crime foi registrado em vídeo e as imagens circularam nas redes sociais, mostrando as mulheres abaladas durante a chamada "peregrinação vexatória".
Tentativa de fraude processual
A polícia descobriu que os criminosos tentaram utilizar as próprias vítimas para realizar uma fraude processual. Câmeras de segurança de uma unidade de cartório registraram as mulheres usando perucas e bonés, acompanhadas por dois homens que as orientavam durante depoimentos.
Nessa nova versão, apresentada no processo, as vítimas inocentavam os traficantes e atribuíam as agressões a outras mulheres. Contudo, a versão foi descartada pelas autoridades devido às evidências de vídeo que mostravam a ação do grupo criminoso.
O caso resultou no primeiro indiciamento pelo crime de domínio social estruturado, previsto na Lei Antifacção de março deste ano. A pena para esse crime varia de 20 a 40 anos de prisão. Ao todo, 15 pessoas foram denunciadas e duas foram presas.
Ação da Polícia Penal
Após a detecção da participação de Flávio Vieira Bento na gestão do tribunal, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que o criminoso foi transferido para a Penitenciária Laercio da Costa Pellegrino (Bangu 1), onde permanece em isolamento. A pasta afirmou que solicitará a transferência do detento para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
De acordo com o delegado Paulo Saback, da DRE, esses tribunais funcionam como um mecanismo de substituição do Estado, onde as organizações criminosas buscam monopolizar a autoridade dentro das comunidades. Segundo o delegado, não há garantias de defesa ou de produção imparcial de provas nessas estruturas de violência organizada.
