Segurança pública em Minas Gerais tem maior queda proporcional de orçamento no país entre 2021 e 2025
Gastos com a pasta caíram de 12,7% para 9,7% do orçamento estadual entre 2021 e 2025, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública.
Por Redação Diário Local
A participação da segurança pública no orçamento de Minas Gerais apresentou a maior redução proporcional entre todos os estados do país no período entre 2021 e 2025. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23), os gastos com a área passaram de 12,7% para 9,7% do orçamento estadual.
O levantamento indica que o recuo nos investimentos reflete uma priorização de decisões de gestão de curto prazo. Além de Minas, Sergipe e Mato Grosso também registraram quedas nas participações percentuais, enquanto estados como Acre e Rio de Janeiro apresentaram aumentos.
O professor Paulo Fraga, coordenador do Núcleo de Estudos sobre política de drogas, violências e direitos humanos (NEVIDH) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), ressalta que o cenário é complexo. Ele explica que parte dos recursos registrados oficialmente no estado inclui despesas com a Previdência do Regime Estatutário, e não apenas gastos diretos com policiamento e investigação.
Como estão os índices de criminalidade no estado?
Os indicadores de 2025 em Minas Gerais mostram contrastes. Houve queda nos crimes contra o patrimônio: os roubos de veículos recuaram 32,1% e os furtos caíram 9,7%. A violência letal também apresentou redução, com uma queda de 14,2% nas mortes violentas intencionais, que passaram de 3.219 para 2.770 casos entre 2024 e 2025.
Por outro lado, o número de estelionatos subiu 3,6%, totalizando 172.676 ocorrências. Os golpes realizados por meios eletrônicos tiveram um avanço de 10,5%. A receptação também registrou alta de 29,9%, valor que supera a média nacional de 3,3%.
Outro ponto de atenção é o aumento de 30,5% no número de pessoas desaparecidas, a maior alta registrada no Brasil no último ano. O estado também registrou o segundo maior aumento no tráfico de drogas, com alta de 41,7% nas ocorrências, ficando atrás apenas do Rio Grande do Sul em taxa por 100 mil habitantes.
O que falta de informação sobre o crime?
O Anuário aponta lacunas de dados que dificultam a análise completa da criminalidade. Minas Gerais não informou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) o volume de maconha e cocaína apreendido no estado.
Além disso, o estado integra o grupo de unidades da federação que não informou a quantidade de vítimas de feminicídio que possuíam medida protetiva ativa no momento dos crimes. Em 2025, foram registradas 177 mortes de mulheres por feminicídio em território mineiro.
