Diário Local
São Paulo

Tenente da PM que intimidou diretora de escola por desenho de orixá participou de abordagem violenta em SP

Policial identificado em abordagem a apoiadora do PSOL também esteve envolvido em episódio na Emei Antônio Bento após desenho de orixá

Por Redação Diário Local

O tenente da Polícia Militar (PM) Ronald Camacho, envolvido na abordagem a uma apoiadora do PSol no último domingo (8), é o mesmo oficial que intimidou a diretora da Escola Municipal de Ensino Infantil (Emei) Antônio Bento, na zona oeste de São Paulo, em novembro do ano passado. Na ocasião, o militar esteve na unidade escolar após uma criança desenhar a orixá Iansã, divindade de tradições afro-brasileiras, em uma atividade pedagógica.

A mulher de 33 anos denunciou ter sido alvo de uma abordagem violenta enquanto realizava panfletagem em frente à estação de metrô Vila Sônia. Imagens gravadas por uma testemunha mostram a mulher sendo imobilizada com o rosto no chão e algemada por três policiais, enquanto outros agentes realizavam a escolta.

Segundo o boletim de ocorrência, os policiais participavam de uma Operação Delegada, destinada à fiscalização de ambulantes e comércio ilegal. O registro policial indica que a mulher teria desobedecido a uma ordem dos agentes. Após a ocorrência, ela foi encaminhada ao 89° Distrito Policial, no Jardim Taboão, e liberada na sequência, com o material de campanha apreendido.

O mandato da Bancada Feminista do PSol negou a versão apresentada pela polícia sobre a abordagem. Segundo as parlamentares, a mulher já realizava a distribuição de materiais naquele local há algum tempo. A Polícia Militar informou que está apurando o caso.

Intimidação em escola infantil

No caso da Emei Antônio Bento, ocorrido em 12 de novembro do ano passado, o tenente Camacho acusou a diretora da instituição de tentar "ditar uma ideologia". A discussão foi registrada pelas câmeras corporais (bodycams) de um dos agentes presentes na unidade.

Nas imagens, o militar é visto repetindo os argumentos apresentados pelo pai da aluna de 4 anos. O pai havia acionado a PM após a criança desenhar a divindade Iansã em uma atividade escolar. Durante o episódio, o tenente afirmou que tomaria medidas administrativas contra a direção.

Histórico e investigações

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) afirmou que, sobre ocorrências anteriores envolvendo o tenente, as providências cabíveis foram adotadas pelas polícias Civil e Militar na época dos fatos. Segundo a pasta, os procedimentos foram concluídos e encaminhados ao Poder Judiciário.

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) confirmou que Camacho foi alvo de um inquérito que apurou a morte de um suspeito em Paraisópolis, na zona sul da capital, durante uma agenda política em 2022. O procedimento, no entanto, foi arquivado a pedido do Ministério Público de São Paulo (MPSP).

A investigação do caso de 2022 reconheceu que a atuação do militar ocorreu sob o manto da legítima defesa e do estrito cumprimento do dever legal. No âmbito da Justiça Militar do Estado de São Paulo (TJMSP), o tenente não é alvo de nenhuma ação penal no momento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.