Criminosos arremessam maços de dinheiro sobre multidão em baile funk na Baixada Fluminense
Prática de arremessar dinheiro sobre moradores em eventos controlados por facção é usada como estratégia de controle social e demonstração de poder
Por Redação Diário Local
Integrantes da facção Comando Vermelho (CV) têm arremessado maços de dinheiro sobre o público durante bailes funk em comunidades do Rio de Janeiro. A prática, identificada por investigadores e moradores, ocorre em meio a disparos de fuzil e música alta.
Um dos episódios foi registrado na localidade da Chatuba, em Mesquita, na Baixada Fluminense. Imagens do momento mostram crianças e moradores aglomerados no chão para recolher as cédulas lançadas pelos criminosos durante o evento.
Segundo investigações da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro (PCERJ), o gesto não tem caráter assistencialista. O ato é utilizado como estratégia de controle social e demonstração de força econômica para aliciar moradores vulneráveis e ostentar poder perante facções rivais.
A exibição de dinheiro está conectada a uma estrutura de lavagem de recursos do narcotráfico. A polícia aponta que eventos de grande porte, como antigos bailes históricos, funcionam como fachadas para a movimentação de dinheiro ilícito.
Além das notas de real, as forças de segurança relatam a presença ostensiva de armas de calibre restrito, como fuzis e metralhadoras, durante as festas. Em celebrações de lideranças do crime, disparos em rajada são utilizados para substituir fogos de artifício, colocando em risco a vida da população civil.
Combate ao crime organizado
Para enfrentar o avanço desses eventos, as polícias Civil e Militar têm intensificado operações em diversas regiões. As ações buscam o desmantelamento de estruturas físicas e a demolição de espaços erguidos irregularmente pelo tráfico para sediar os bailes.
As autoridades também trabalham na asfixia financeira do grupo criminoso. O foco está no bloqueio de bens e na investigação de repasses financeiros suspeitos para familiares de músicos, produtores e influenciadores digitais ligados aos chefes da organização.
O combate a essa modalidade de atuação do crime organizado segue como um dos principais desafios das forças de segurança estaduais. O objetivo é neutralizar o aliciamento nas periferias e interromper o fluxo financeiro das facções.
