Ações da Casas Bahia caem 14,3% em uma semana após agravamento de crise financeira
Varejista acumula prejuízo de R$ 11,2 bilhões no ano e busca reestruturar dívida de R$ 17,3 bilhões via recuperação judicial
Por Redação Diário Local
As ações da Casas Bahia caíram 14,29% na semana passada, passando de R$ 0,49 na abertura de segunda-feira (17) para R$ 0,42 no fechamento de sexta-feira (21). O recuo acompanha o agravamento da crise financeira da varejista, que registrou prejuízo de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre de 2026.
De acordo com o balanço do segundo trimestre divulgado pela companhia, o prejuízo acumulado no primeiro semestre do ano chega a R$ 11,2 bilhões. A empresa utiliza o pedido de recuperação judicial para tentar reorganizar uma dívida estimada em R$ 17,3 bilhões.
Qual é a situação jurídica do pedido de recuperação judicial?
O pedido de recuperação judicial da Casas Bahia ainda não foi deferido pela Justiça. nesta quarta-feira (19), a 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo determinou a realização de uma perícia prévia para avaliar as condições financeiras e operacionais da companhia.
Este procedimento de constatação prévia serve para verificar se a empresa preenche os requisitos necessários para o processamento do pedido. A decisão oficial dependerá da conclusão desta análise técnica para determinar se a varejista entrará formalmente em recuperação judicial.
Como o prejuízo foi impactado por itens não recorrentes?
O balanço da companhia detalha que o resultado do segundo trimestre foi afetado por eventos extraordinários. A varejista reconheceu uma baixa de R$ 5,7 bilhões em créditos tributários de Imposto de Renda (IR) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), após mudanças nas projeções de lucros futuros.
Além disso, foram registrados R$ 1,8 bilhão em provisões para revisões contratuais e R$ 971 milhões em baixas contábeis de ativos. A empresa também contabilizou R$ 712 milhões em despesas de reestruturação, incluindo gastos com adequação de pessoal e o encerramento de lojas.
A situação financeira segue pressionada, com a companhia registrando capital circulante líquido negativo de R$ 7,8 bilhões e patrimônio líquido negativo de R$ 8,2 bilhões ao fim do trimestre. Isso indica que as obrigações superam os recursos e ativos da empresa.
Como o cenário econômico afeta a varejista?
A deterioração financeira ocorre em um contexto de juros altos, com a taxa Selic em 14% ao ano em agosto de 2026. Para uma empresa que vende bens duráveis, como eletrônicos e móveis, o custo elevado do crédito reduz a capacidade de o consumidor realizar parcelamentos e financiamentos.
Ao mesmo tempo, o custo financeiro aumenta o peso do endividamento da companhia, que possui obrigações atreladas a taxas de juros. A combinação de crédito restrito e despesas financeiras elevadas tem dificultado a recuperação da estrutura de capital da varejista.
