JPMorgan muda recomendação de Bradesco e Banco do Brasil após rali das ações no setor financeiro
Instituição financeira revisou preços-alvo para o setor após queda na curva de juros e mudanças no custo de capital.
Por Redação Diário Local
O JPMorgan revisou as recomendações, estimativas e preços-alvo para o setor financeiro brasileiro após a recente disparada das ações do setor no rali pós-eleitoral. A instituição elevou a recomendação do Bradesco para overweight (compra) e rebaixou a do Banco do Brasil para underweight (venda).
Na manhã desta terça-feira (6), as ações reagiram às novas projeções. O Bradesco (BBDC4) registrava alta de 3,98%, operando a R$ 22,71, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) apresentava queda de 2,28%, cotado a R$ 25,73.
Por que as recomendações mudaram?
A revisão foi impulsionada por uma mudança no custo de capital. O banco reduziu em cerca de 1,5 ponto percentual sua premissa de custo de capital próprio para a maioria das empresas cobertas. O movimento acompanha a queda da curva de juros brasileira de dez anos, que recuou de aproximadamente 14,4% para 13%.
Segundo o JPMorgan, esse ajuste no custo de capital é responsável por cerca de 15% a 20% dos aumentos de preços-alvo realizados pela casa. Além disso, empresas ligadas ao mercado de capitais receberam novos impulsos em suas projeções de lucro para 2027.
O cenário para o Bradesco
Com a elevação da recomendação, o preço-alvo do Bradesco subiu de R$ 22 para R$ 26, representando uma valorização de 19% em relação ao último fechamento. Os analistas apontam que o plano de recuperação do banco tem mostrado evolução, com melhora na rentabilidade, redução do custo de risco e expansão das margens.
A projeção de retorno sobre patrimônio líquido (ROE) para o Bradesco é de 15,9% em 2026, subindo para 16,1% em 2027 e 16,8% em 2028. O lucro líquido ajustado estimado para este ano é de R$ 28,1 bilhões.
O cenário para o Banco do Brasil
Para o Banco do Brasil, embora o preço-alvo tenha subido de R$ 22 para R$ 23, a recomendação passou a ser de underweight. Com o papel sendo negociado a R$ 26,30, o novo alvo indica um potencial de queda de 13%.
Os analistas observaram que o banco teve uma valorização expressiva de cerca de 16% desde a última sexta-feira (3) e de 50% desde 15 de agosto. No entanto, a casa de análise acredita que a recuperação operacional pode demorar, apontando 2027 como um ano desafiador para a instituição.
Outro fator citado é a exposição ao agronegócio, que pode fazer com que o banco se beneficie menos de uma eventual queda da taxa Selic se comparado a bancos privados. A deterioração recente da carteira do setor também é vista como uma pressão para os lucros e dividendos.
Preferências no setor
O Itaú Unibanco segue com recomendação overweight no JPMorgan, com preço-alvo elevado de R$ 51 para R$ 60. A instituição é vista como bem posicionada para crescer em um cenário econômico construtivo devido ao seu ROE elevado.
No mercado de capitais, a XP continua sendo a alternativa preferida da casa, com recomendação overweight e novo preço-alvo de US$ 38. O BTG Pactual também mantém recomendação overweight, com preço-alvo elevado para R$ 87.
