Justiça concede 30 dias para Apex Partners pedir recuperação judicial após dívida de R$ 975 milhões
Decisão judicial de Vitória concede proteção temporária às atividades do grupo para evitar corrida de credores enquanto dívida chega a R$ 975 milhões.
Por Redação Diário Local
A Justiça concedeu, nesta sexta-feira (7), uma liminar para proteger temporariamente as atividades do grupo Apex Partners. A decisão estabelece que a companhia tem 30 dias para apresentar um pedido de recuperação judicial, sob pena de perder a eficácia da medida cautelar.
O juiz Marcos Pereira Sanches, da Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória, considerou que a existência de um passivo líquido consolidado de R$ 975 milhões poderia gerar uma corrida de credores, comprometendo a continuidade dos negócios. Com a liminar, foram suspensas ações de execução e proibidas medidas como retenções, arrestos, penhoras e bloqueios de bens das empresas alcançadas.
A decisão ocorre em meio a uma crise interna que resultou no afastamento do presidente e fundador, Fernando Antonio Kulnig Cinelli, e do diretor financeiro, Eduardo Siqueira. O grupo relatou inconsistências financeiras e busca responsabilizar o ex-presidente por gestão temerária e má-fé.
O tamanho do endividamento
Dados apresentados pela própria Apex no processo detalham a deterioração financeira. A dívida líquida consolidada subiu de R$ 413 milhões, registrada em janeiro de 2025, para R$ 975 milhões em junho de 2026, um aumento de R$ 562 milhões em 18 meses. O endividamento bruto apurado chega a R$ 985,6 milhões.
Entre as principais obrigações listadas estão R$ 452,1 milhões em debêntures e R$ 309,8 milhões relacionados a obrigações de cashback de aproximadamente 1.600 posições de clientes. Além disso, o grupo possui R$ 201,7 milhões em dívidas bancárias com aval e R$ 35,2 milhões em tributos atrasados.
O levantamento também aponta incertezas sobre os ativos. De uma carteira de R$ 261,5 milhões em ativos realizáveis, a estimativa interna previa a recuperação de apenas R$ 190,1 milhões. Há ainda registros de perdas de R$ 38,1 milhões em 65 posições de mútuos e pedidos de resgate de fundos para o período entre 12 de agosto e 30 de setembro.
Auditoria e proteção de terceiros
Antes de decidir sobre a recuperação judicial, o juiz determinou uma verificação independente das condições reais das empresas. Para isso, nomeou a Laspro Consultores, que terá 20 dias para apresentar um laudo sobre a organização e a situação das sociedades do grupo.
A decisão ressalta que a proteção judicial não abrange o patrimônio de terceiros. Recursos de fundos de investimento, certificados de recebíveis e patrimônios de afetação de sociedades de propósito específico (SPEs) imobiliárias permanecem protegidos e não podem ser usados para pagar dívidas gerais do grupo.
A Apex tem 48 horas para identificar quais SPEs imobiliárias possuem essa proteção de patrimônio. Enquanto o processo avança, a CVM e a Anbima seguem fiscalizando as atividades financeiras e os fundos ligados à companhia.
